Um blog que tem como objetivo falar sobre as dificuldades enfrentadas por mim. Também falarei da minha vida, do meu cotidiano, das minhas conquistas, dos meus fracassos. Postarei textos, letras de músicas, artigos, enfim, tudo o que me chame a atenção. Um blog que tem o intuito de se expressar neste mundo virtual que nos cerca. Um blog feito para você entrar, visitar, e sobretudo comentar. Um blog que te fará aprender, e se reconhecer através do que será postado aqui.
segunda-feira, 28 de julho de 2014
Voltando ao blog. Minhas novidades!
Ois gente! Andei bem sumida daqui né, mais é que tive alguns problemas,
e depois foi a correria. Antes de mais nada, gostaria de dar as boas-vindas aos meus
mais novos seguidores, e aos mais novos visitantes. Que vocês gostem dos
conteúdos aqui postados, e que se sintam a vontade para divulgá-los e
comentá-los!
Este post será enorme, visto que tenho muito o que contar.
No dia 22/04, retornei ao curso, e durante a aula, a Mirian pediu para
que nos dividíssemos em grupos, para realizarmos uma atividade sobre os
conteúdos de ética, moral e cidadania.
Confesso que esta atividade me deixou um tanto nervosa, pois conviver
com as diferenças não é fácil, ainda mais em uma turma como a nossa,
onde a diversidade de pessoas é muito grande. Mas também, isto não deixa
de ser maravilhoso, pois assim nós podemos aprendermos que não existem
somente as nossas opiniões, que os outros também tem o direito de se
expressarem como devem, que em uma empresa estaremos convivendo com n
tipos de pessoas, com opiniões diferentes das nossas. Eu particularmente
gosto deste tipo de coisa, e depois que o nervosismo passou, pude estar
desenvolvendo minha atividade de uma forma produtiva. A tarde, eu acabei
indo pro Braille, e junto com a Alice demos um jeito na biblioteca de
lá, que estava horrível, mas agora, ela está melhor. Ainda não é
possível receber nenhum usuário, mais este dia se aproxima.
Na quarta, dia 23, eu acordei nervosa. Eu tinha que dar uma palestra em
uma das turmas do Senai, e aquilo me deixou uma pilha! Quem me conhece sabe
que eu sou assim mesmo! Se bem que de uns tempos pra cá, esta questão
não tem mais me deixado tão atormentada como antes. Agora eu consigo
lidar melhor com isto, e uso esta espectativa, como algo que possa vir a
ser produtivo pra mim.
Antes que vocês fiquem confusos (as), vou explicar como tudo aconteceu.
Na semana anterior, no dia 16, teve a eleição no Braille e etc, daí como
eu já falei aqui, mais da metade da turma faltou e tals. Eu era a única
dv total que estava lá. Depois do intervalo, 4 moças bateram na porta da
sala, para conversar com a Mirian. Elas queriam que algum deficiente
visual da turma fosse em sua sala, para lhes dar uma palestra. E como só
eu de dv total que estava lá, elas pediram para conversarem comigo. E é
claro, foram atendidas, pois eu não me nego a ajudar ninguém, seja com
algo simples, ou com algo complicado. Daí nós nos sentamos em um banco
que fica em frente a minha sala, e fomos conversar. Elas estudam no
curso Técnico em Segurança do Trabalho, e queriam que eu fosse em sua
turma, pois elas estavam fazendo um trabalho sobre os EPIS, (Equipamento
de Proteção Individual), que no caso são os óculos de proteção. Daí é
claro, aceitei o desafio! Seus nomes são: Karol, Larissa, Leylane e
Natália. Elas são super legais, e me deixaram ver seus cabelos e rostos.
Todas tem bochecha, bom de se apertar! Depois de acertarmos mais alguns
detalhes, nos despedimos, e eu voltei para minha sala.
Voltando ao dia da palestra.
Eu fiquei com medo também de não chegar na hora, pois o ônibus demorou
muito a passar, e aquilo ainda me deixou mais nervosa do que nunca.
Mas deu tudo certo, e eu consegui chegar na hora! Eheheheh!
Ainda fiquei por alguns minutos na minha sala, e por volta de 7:50, a
Leylane e a Natália foram lá para me buscar.
Assim que chegamos em sua sala, eu já ouvia várias vozes que conversavam
em seu interior, e aquilo foi me deixando ainda mais nervosa.
Depois eu acabei encontrando as outras integrantes do grupo, e conheci
uma menina que também fazia parte do mesmo. Seu nome é Jaqueline, e ela
me pareceu ser do bem.
Depois de aguardar por alguns minutos, finalmente eu entro na sala, e a
Carol me conduz até uma cadeira.
Assim que eu me sentei, pude observar a turma com mais calma.
Dentro daquela sala, haviam mais de 30 alunos, com idades variadas.
Aí que eu fiquei nervosa mesmo.
Será que daria conta do recado?
Esta foi a pergunta que eu me fiz naquela hora. Mas nem adiantava ficar
tentando maquinar respostas, precisava aguardar até que a hora de me
apresentar chegasse.
As meninas logo começaram sua apresentação. Ela foi super
esclarecedora, e elas explicaram sobre o uso dos óculos de proteção para
aquelas pessoas que trabalham com solda, maçarico, dentre outros
elementos que podem prejudicar os olhos. Elas explicaram super bem,
e sua apresentação ficou mais do que completa! Eu adorei! Sobretudo por
estar aprendendo coisas que eu nem fazia ideia. Isso sim é demais!
Eu só fui falar quando já eram mais ou menos 8:50, e antes de ir pra
frente, eu respirei fundo, tomei uma dose de coragem e fui. Não poderia
dar bandeira justo naquela hora.
Eu falei muito. Sobre mim, sobre a minha educação, sobre a minha escola,
sobre a minha deficiência, e é claro, sobre os preconceitos vividos.
Impossível fugir deste tema.
Falei muito, e ao fim de tudo, eu demonstrei a eles como é a escrita em
Braille, (pois eu havia levado minha reglete, a pedido da Leylane).
Depois eu os expliquei como é a forma correta de se conduzir um dv, pois
muita gente não sabe!
Depois eu deixei um espaço para que eles fizessem suas perguntas, e
putz, eles perguntaram muitas coisas! Quase fiquei tonta para responder
tudo, mas isto é bom, sinal de que aquilo lhes gerava dúvidas.
E uma coisa eu notei: Eles estavam sim dispostos a ajudarem, só não
sabiam como. E é isto o que ocorre geralmente com as pessoas. Elas não
oferecem ajuda, não por preconceito, mas sim, por não saberem qual é a
forma correta para isso.
Deu pra esclarecer tudo, e isso foi perfeito!
No fim de tudo, todos me aplaudiram muito.
Eu fiquei super feliz! Não só pelas palmas em si, mas sim, por ter
conseguido colocar um pouco de consciência na galera, e por ter lhes
ensinado algo que é totalmente novo e diferente para eles. Isso sim foi
o mais legal de tudo! Os aplausos são super bem-vindos e apreciados sim,
mas o fato de ver e sentir que o que eu fiz, ajudou alguém, vale muito
mais do que as palmas que me dão.
Eheheheheheheheheheheheheheheheheh!!!! Missão cumprida!!!!!
Depois o Ronaldo, professor delas, me agradeceu pela visita, e eu voltei
pra minha sala.
Depois do intervalo, eu fiquei sabendo que este grupo, estavam fazendo
um trabalho externo, fora da sala de aula. Eles estavam vendados, e
algumas pessoas estavam lhes servindo como guias. Achei super legal
isso. Queria ter visto, mais não deu! Sinal de que o que eu os havia
ensinado, tinha realmente ficado gravado dentro deles!
Depois a minha rotina seguiu sua normalidade, e no fim de Abril, eu fiz
um trabalho sobre Empreendedorismo que ficou enorme! Deu 39 páginas!
Muita coisa, né? Eu sou assim mesmo.
No dia 03/05, eu, Ronaldo, Maciléia, Sâmela e Stéfhan
fomos para a casa do Carlos e da Alice, para um fim de semana dos
amigos. Foi super legal lá! Resolvemos tirar o fim de semana para
zoarmos e nos divertirmos. Foi massa, comemos e bebemos muito. Eu ri
muito, quase passei mal de tanto que ri. Ficamos rindo, comendo, bebendo
e falando a noite e madrugada inteiras. Eu acordei as 9:00 da manhã de
sábado, e só dormi as 17:00 do domingo. Que loucura né, mais nunca tinha
feito isso, nunca tinha ficado tão agitada. Tudo culpa do monte de
energético que eu tomei pra ficar acordada. Na madrugada, nós fizemos
várias brincadeiras, dentre elas a Verdade ou Desafio. Nessa
brincadeira, rolou muita pergunta cabeluda, que eu nem posso falar aqui.
Só o Ronaldo pediu Desafio, e foi justamente pra mim. Eu nem sabia o que
propor, eu estava confusa. Ele acabou dizendo que eu não ia falar pra
ele fazer nada, daí eu disse que ele deveria tomar Coca-Cola com catchup
picante. Depois que eu propus isso, fiquei morrendo de medo de dar um
piripaque nele. Não deu nada, só que eu que fiquei me sentindo mal
depois. Mais foi tudo de boa, e ele levou na esportiva.
Durante a manhã de domingo, nós assistimos há vários vídeos, e deu pra
rir muito com tudo aquilo.
Depois o Ronaldo e o Carlos foram os cozinheiros da galera, e uma coisa
eu falo. Aquele macarrão do Ronaldo ficou pra lá de bom! O cara cozinha
bem mesmo! Depois ainda comemos brigadeiro, e ficamos cantando até umas
16:30, quando todos começaram a se arrumarem para deixar a casa da
Alice, exceto eu que ficaria por lá mesmo! Só dormi quando eram 17
horas, e acordei quando eram 6:00, porquê eu tinha que ir pro curso né
gente, não dava pra faltar.
Quando eu estava no ponto de ônibus, notei que havia esquecido meu
celular lá. Daí tive que ir lá pegar. Sorte que o ponto é na calçada do
prédio dela. Deu pra pegar rápidinho, e eu consegui chegar cedo no
curso. Lá, a Leylane me ajudou a chegar até no meu bloco, e deu para
conversarmos um pouquinho.
No dia 11/05, eu passei o dia na casa dos meus avós, por causa do dia
das Mães e tals, e voltei pra casa mais gordingha! Comi uma lasanha
maravilhosa! A noite, eu comecei a namorar, como eu já disse no meu
último post. Isso realmente marcou meu mês de Maio. Não somente isto né,
mais este namoro foi sim uma das coisas que deixou o mês das noivas,
sendo o meu mês, nosso mês!
E neste mesmo dia, já combinamos um encontro para o dia 18/05.
Durante esta semana, nós conversamos muito, sobre vários assuntos. Eu
também me cansei até. Na quinta, dia 15, eu faltei ao curso, pois eu
precisei resolver algumas coisas com a Beth de manhã. Daí eu tive que
faltar aula. Não gostei nada nada disso, mas infelizmente era
necessário. Só que acabamos saindo do Braille quando já eram quase
12:00, e aquilo me deixou um pouco brava. Dava pra eu ter ido na aula.
A tarde, eu tinha que ficar em um estande de uma feira literária que
teve aqui, só que eu acabei me atrasando, e nem deu pra ficar lá. Também
não gostei de ter faltado a este compromisso, mais enfim. Não havia nada
a fazer. Eu cheguei em casa pra lá de cansada. Tinha andado muito, e me
estressado muito também!
Na sexta, eu acabei indo ficar lá na Feira, e a Sarah, a Tainá, e a Alice
também ficaram lá. Na verdade, quem ia ficar lá eram somente eu e a
Sarah, mais as demais quiseram ficar também.
Minha tarde ali foi super proveitosa. Conheci várias pessoas diferentes,
que me abordaram no Estande dedicado aos deficientes visuais, e me
fizeram inúmeras perguntas sobre o Sistema Braille, e é claro, eu fiz
uma demonstração de como o mesmo funciona, tanto na máquina Perkins,
como na reglete. Ali também havia um notebook, onde estava funcionando
o Sistema Dosvox, e o NVDA. Assim, as pessoas puderam ver como que
funcionam os leitores de telas para nós, dvs. Foi super legal isso sabe,
pois eu conheci novas pessoas, e até algumas crianças também passaram
por ali. Eu procurei responder tudo o que me foi perguntado, e foi
legal, parece que eles gostaram do que lhes foi ensinado.
Depois deu até pra ir em um estande, que tinha várias coisas rústicas,
super legal. Não deu para ver nenhum outro, pois eu estava trabalhando,
e não podia ficar parando, né? Só que curiosidade eu tinha, e de sobra.
Esta feira, era sobre literatura capixaba, só que em Braille, é difícil
achar livros com autores daqui, o que é uma pena, pois eu gostaria de
conhecer mais da literatura de meu Estado. Ali existiam pouquíssemos
livros capixabas em braille, tinham mais audiolivros, mais eu
particularmente não gosto de livros assim. Eles me dão sono.
Depois de ficar em pé por mais de 5:00, eu cheguei em casa morta de
cansaço. Não suportava o peso das minhas próprias pernas.
No sábado, dia 18, eu acordei antes das 8:00 da manhã. Cheguei no
Braille mega cedo, pois teria uma oficina de Decopage em caixas de MDF.
Este trabalho artesanal pode ser feito usando-se guardanapos decorados
próprios para este fim, ou pedrarias também.
A decopage também pode ser feita em tecidos, potes, enfim, tudo aquilo
que tiver utilidade.
Esta oficina foi dada pela Mirian, que se propôs, a nos oferecer esta
aula, totalmente gratuita. Ela acabou se atrasando um pouco por conta do
trânsito, e assim as alunas foram chegando.
Desta oficina participaram eu, Sâmela, Laura, Solange, Julia e Cátia.
Foram poucas pessoas, pois a notícia foi dada meio em cima da hora. Mas
mesmo assim, não deixou de ser super proveitosa.
Eu particularmente adorei aprender a decorar caixas. Não é tão difícil,
e a Mirian é super paciente, e isso já ajuda muito, para que o trabalho
se desenvolva de uma forma produtiva e proveitosa.
A oficina só teve fim quando eram mais de 12:30, e nós agradecemos a
Mirian por tudo.
Todas as caixinhas que fizemos ficaram lindas!
Durante a manhã, o Stéfhan chegou quando eram mais ou menos 10:00, e nós
apenas nos cumprimentamos rapidamente, e só. Não poderíamos conversar
muito, pois eu estava em aula.
Mais uma coisa eu falo. Quando ele me abraçou, eu não queria mais
soltá-lo. Por mim, o tempo poderia parar ali, naquele momento, naquele
instante. Foi algo inexplicável. E eu tive sim que deixá-lo ir. Ele
aproveitou pra conversar e sair com o Carlos.
Naquele dia também estava havendo um multirão de limpeza no Braille, e o
pessoal do núcleo acabou indo lá dar aquela mãozinha.
Depois que a Mirian se foi, o Stéfhan acabou me entregando um presente.
Foi um Florata Rosa, da Boticário! Eu amei! Nunca havia sentido o cheiro
antes! Ele é maravilhoso, perfeito, não vivo mais sem ele! E é claro,
sempre que eu usá-lo, me lembrarei do meu amor!
Depois nós ainda conversamos mais um pouquinho, e fomos almoçar no
shopping. Foi maravilhoso, e nós conversamos sobre tudo, sobre todos.
Foi a primeira vez que eu saí assim, acompanhada pelo meu namorado.
Depois nós voltamos pro Braille, pois eu tinha deixado umas coisas lá, e
precisava buscar. Ele acabou indo pra rodoviária por volta de 16:30, e
foi horrível me despedir dele. Só que eu não tinha o que fazer. Ele
precisava ir.
Eu só deixei o Braille por volta de 18:00, e uma galera ficou comigo no
ponto, e eu só cheguei em casa quando eram mais de 19:00.
´Apesar de estar morta de cansaço, eu estava feliz!
Meu dia foi maravilhoso!
Durante as semanas seguintes, continuei realizando a minha rotina como
sempre, e no dia 31 eu encontrei meu amor de novo.
Nós nos encontramos no shopping, e acabamos procurando alguns modelos de
alianças de compromisso para nós, mais nesse dia não era hora de
escolher, e sim de sabermos os modelos disponíveis.
Depois que almoçamos, ele me encheu de chocolate, e nós voltamos ao
Braille, onde a Adriele nos esperava.
Nós encontramos com ela, Matheus, Pedro e Henrique, seus filhos. Nós 6,
fomos juntos para a casa do Carlos, pois a noite, seria comemoração do
aniversário dele, que foi no dia 26.
Chegando lá, guardamos algumas coisas, e começamos a conversarmos.
Quando eram mais ou menos 18:30, deixamos a casa deles, e fomos com mais
uma galera, até um rodíseo, que vende de tudo.
Lá foi massa! Comemos muito, e tiramos altas fotos! Adorei!
Deixamos o local quando eram mais de 22:00, e fomos todos pra casa do
Carlos. Eu e o Stéfhan ainda ficamos um tempão acordados conversando, e
depois eu fui para o quarto onde estavam Adriele e os bebês, e ele ficou
na sala.
No domingo, acordamos cedo, e eu fiquei cuidando dos gêmeos da Adriele.
Eles tem 2 anos, e o Matheus tem 5. Eu adoro eles!
E todos os 3 tem deficiência. O Matheus é surdo, e os nenéns tem
deficiência visual, enxergam pouco.
Depois o Ronaldo e a Maciléia apareceram, e todo mundo comeu aquele
monte. Mais uma vez o Ronaldo que cozinhou, e aquele macarrão ficou
perfeito! Depois meu amor teve que ir mais cedo, e de novo foi horrível
me despedir dele. Depois nós cantamos, e deu pra rir muito. Por volta de
18 horas, eu, Adriele, os bebês, Ronaldo e Maciléia deixamos a casa
deles. Eu fiquei na Adriele até na terça. Foi muito bom ficar lá. E
assim, nós pudemos conversarmos ainda mais.
Estamos super unidas, grudadas mesmo. Nós nos conhecemos há 16 anos, e
tínhamos nos afastado, devido a correria da vida. Agora com o curso que
voltamos a nos aproximarmos outra vez.
Durante esta semana, nós estudamos coisas super interessantes no curso.
Estudamos sobre vários assuntos, e na quarta-feira, fechamos a matéria
de Fluxograma, que é mega interessante.
Daí na quinta, nós assistimos um filme chamado "O Sorriso de Mona
Lisa", que é mega interessante, adorei!
Na sexta-feira, nós começamos uma nova disciplina. Segurança do
trabalho, que foi dada por uma professora diferente. Seu nome é
Schirley, e ela é super simpática.
Logo no início, ela pediu que nos apresentássemos a ela de uma forma
diferente. Quem faria nossa apresentação, seria nosso colega do lado, ou
de trás. Aquilo foi super diferente. Gostei dela de cara! Ela é super
engraçada! E super prestativa.
É claro que tudo foi super diferente pra ela, afinal de contas, ela não
estava acostumada com uma turma de deficientes, mas isso não foi
impecílio para que ela interagisse conosco.
Depois do intervalo, nós assistimos uma palestra sobre "Ergonomia", que
é um tema bem interessante, depois colo o artigo aqui. Quem deu esta
palestra foi o George, que também trabalha na Vale.
Gostei muito da palestra, e eu nem sabia o que era Ergonomia.
Durante a tarde, eu, Alice e Adriele andamos um pouco, para comprar
algumas coisas para a tarde de Caldos que aconteceu no Braille. Depois
de deixarmos as coisas lá mesmo, eu e a Adriele ainda fomos no centro
comprar umas coisas, e depois eu fui pra casa dela me arrumar.
Assim que ficamos prontas, fomos para o Braille, onde o som já estava a
todo o vapor. O Ronaldo que tocou violão e cantou durante todo o evento.
Meu amor também estava lá me esperando, e eu amei poder revê-lo!
Deu para conversarmos muito.
Por volta de 20:15, a Adriele foi cantar com o Ronaldo. Ela cantou as
músicas: "Camaleoa", de Caetano Veloso, (mas nesta versão ele canta com
Maria Gadu), "Tudo Diferente", maria Gadu, e como o povo pediu bis, ela
cantou "Quando a Chuva Passar", Ivete Sangalo.
Eu ainda fiquei lá coonversando e rindo por mais alguns minutos, e
depois eu voltei pra casa.
Só cheguei aqui quando já passavam de 22:00, porquê o ônibus demorou um
tempão pra passar, e etc. Eu nem fiz nada, nem liguei pc nem nada disso.
Estava morta de cansaço.
No sábado, eu saí de casa cedo, e fui encontrar meu amor. Passamos o dia
juntos, e foi perfeito!
Quando estávamos almoçando no shopping Vitória, aconteceu uma coisa que
me deixou muito brava.
Uma mulher vem sei lá de onde, para a minha direita, e fala assim:
"O papá de vocês tá bom? O garçom já veio ver vocês"?
Só com estas duas perguntas eu já fiquei estressada.
Eu não ligo que pergunte não, mais meu, pergunta direito!
Nós não somos crianças, e não precisamos de babá poxa!
Daí gente, como eu tento ser uma pessoa educada, respondi que estávamos
bem.
Mais quem disse que o interrogatório findou-se? Quem dera:
"Como vocês sabem que aqui é o shopping? Vocês vem sozinhos?
Aí eu já fiquei mais estressada ainda.
Como assim, como que a gente sabe que ali era o shopping?
Acho que na cabeça dela, cego não sabe onde está.
Daí, ela se afastou, e nós continuamos lá, comendo e falando.
Quando eu pensei que estava livre, quem aparece? Ela de novo, fazendo
essas perguntas:
"Vocês namoram? Moram juntos? Onde vocês moram"?
Gente, eu fiquei super irritada com tudo aquilo, minha cara não tava boa
não, mais acho que ela nem percebeu, e se viu, nem ligou.
Eu acabei cutucando o Stéfhan, para que respondesse, senão eu daria uma
resposta daquelas, e ele é super calmo, e foi responder a nossa
investigadora de plantão.
Aja saco, viu?
Eu já tinha perdido o meu há tempos.
Depois o Ronaldo apareceu, pois iríamos até uma Feira de Artesanato que
estava acontecendo na Praça do Papa.
Conversamos muito, e quando eu retoquei meu batom, a mulher inoportuna
reaparece, e diz:
"Nossa! Ela sabe passar batom! Que lindo"!
Eu nem disse nada, pois seria melhor assim, mais eu estava passada.
Que absurdo!
Nós logo saímos dali, antes que eu realmente perdesse a boa educação que
eu ainda tenho, e depois de encontrarmos com a Adriele e com o Matheus,
nós fomos ver um celular lá que o Ronaldo queria, e depois fomos até uma
joalheria, onde escolhemos nossa aliança!
Ela é linda!
É de prata, e em seu interior e em seu exterior tem várias pedrinhas que
são minúsculas. Por este motivo, a minha não deu para gravar nada. Já a
do meu amor, também é do mesmo modelo, só que totalmente lisa, e a dele
é mais grossa que a minha, que é mais estreita. Na dele é possível se
gravar algo, mas ele preferiu não fazê-lo, pois a minha não tem como
fazer isso.
Existia outro modelo de aliança que eu também gostei. Ela também era de
prata, só que era bem mais grossa do que a minha.
Como eu tenho a mão pequena, uma aliança daquelas não caiu bem não.
Depois nós finalmente deixamos o shopping, e em vez de irmos a feira,
fomos até a Praça dos Namorados, um local super popular aqui em Vitória.
Lá nós 4 conversamos muito, enquanto o Matheus se divertia em meio as
atrações da praça.
Lá um cara nos abordou, e começou a nos fazer algumas perguntas. Ao
contrário daquela mumlher no shopping, esta pessoa foi super light, e
suas perguntas não eram tão ridículas assim, e o modo como foi
perguntado, foi mega diferente de um para o outro.
Ele estava realmente curioso, e é claro que nós esclarecemos suas
intermináveis dúvidas.
Depois nós fomos comer, e eu comi um bolo de chocolate com morango que
ficou perfeito, maravilhoso! Não dava pra recusar, ainda mais eu, que
sempre fui fã deles, os doces!
Depois nós ainda assistimos uma apresentação de um grupo com fantoches,
e depois voltamos pro shopping, onde pegamos um táxi, e meu amor me
deixou em casa, e depois foi pro hotel.
No domingo, meu amor chegou aqui mega cedo. Ele viria conhecer minha
família. Eu estava um pouquinho nervosa. Sempre dá um frio na barriga,
né, ainda mais no meu caso.
Assim que eu acabei de me arrumar, ele já estava por aqui, e eu lhe
entreguei uma carta com 7 páginas. Nem vou colar
aqui, porquê ela é enorme.
Ele adorou, e ficou super emocionado.
Depois todo mundo ficou em cima dele, e parecia que ele era uma
celebridade. Na hora do almoço, todo mundo comeu um monte. Tinha
strogonoff de frango, e de sobremesa mousse de maracujá, e uma tia minha
fez um bolo de baunilha, com cobertura de chocolate e coco. Meu Deus,
como eu comi! Assim não há dieta que resista!!
Depois nós ficamos conversando um pouco com todo mundo, e depois de um
tempo, fomos até a varanda.
Todos fizeram um círculo, e nós ficamos no meio. Eu fiz uma oração,
pedindo as bênçãos de Deus, e o agradecendo por tudo. Depois ele colocou
a aliança em mim, depois foi a minha vez. Depois todo mundo aplaudiu em
peso!
Depois nós ainda conversamos mais aquele monte, e quando eram umas
15:30, ele teve que se despedir, infelizmente.
Na segunda-feira, assistimos há mais uma palestra.
Dessa vez, foi dada pela turma de Técnico em Segurança do Trabalho, mais
era de outro professor, o Paulo. A palestra foi sobre Ergonomia, mais
falou mais sobre algumas doenças, tipo a Ler, (Lesão por Esforço
Repetitivo), a Dort, e a Tendinite.
A palestra foi super explicativa, e deu até pra fazer uma demonstração.
Depois do intervalo houve outra palestra sobre a Diabetes, que também
foi mega interessante, eu adorei!
Depois algumas pessoas foram no Convencedor. Um simulador de impacto. No
começo eu até queria ir, mais quando eu ouvi o barulho que aquilo fazia,
eu desisti. Era um ruído horrível. Isso porquê ele estava em 12 km
por hora. Se estivesse em mais, seria bem pior.
Depois que a palestra acabou, nós voltamos para a sala, e ainda
conversamos um pouco.
Na quarta, nós tivemos mais uma aula externa.
Mais uma vez foi com a turma do Paulo, que estava querendo testar um
aparelho chamado de Trava Queda. Eu acabei indo fazer parte do teste, e
foi super legal, adorei! Deu até pra tirarem foto!
Depois do intervalo, nós assistimos um vídeo sobre a fábrica de calçados
Asaléia, que ficava situada na Bahia. Nesta fábrica, vários funcionários
tiveram seus dedos e membros do braço amputados ou decepados, pois não
havia segurança alguma para eles, e também os mesmos estavam muitas
vezes executando funções que não cabia a eles. E também os responsáveis
pela fábrica não proporcionavam formação adequada a estes funcionários.
Um dos absurdos que disseram no vídeo foi que os funcionários que
queriam terem seus membros descepados ou amputados. Meu Deus, como que
pode isso?
Quem vai querer perder dedos, mão, ou até mesmo o braço por sua própria
vontade?
Ô desculpa mais esfarrapada!
Depois de serem denunciados, a fábrica naquela região não existe mais.
Só que esta é apenas uma. Será que não existem outras como ela
espalhadas pelo Brasil a fora? Será que todas as fábricas disponibilizam
formação e equipamentos de segurança adequados para seus funcionários?
Não creio nisso.
Eu só sei que este vídeo me revoltou muito.
Depois quando eu fui beber água, acabei encontrando por acaso com a
Carine, outra professora do Senai. Ela me pediu para que estivesse indo
em sua turma, para dar uma palestra sobre conscientização. É claro que
eu topei né, não poderia ser diferente.
Depois que eu voltei pra sala, o Paulo apareceu, ficou olhando pra todo
mundo, e depois disse assim:
"Quem é a menina que foi na turma do Ronaldo?
É uma menina que tem um blog.
Eu imediatamente levantei a minha mão, e ele disse:
"Você poderia vir comigo na minha turma?
É claro que eu respondi prontamente que sim, depois de pedir autorização
para a Schirley, que era a professora que estava dando matéria naquele
momento.
Depois que ela autorizou, nós demos apenas 2 passos, e já estávamos em
sua sala, que é do lado da minha.
Assim que entramos, a turma se silenciou, e eu fui para a frente.
Ele se sentou em uma das carteiras da sala, e me pediu que contasse
minha história, assim como fiz na turma do Ronaldo.
O pedido foi prontamente atendido, e depois de falar sobre a minha vida,
sobre a minha escola, eu também demonstrei qual é a forma correta de se
conduzir um dv, e deixei o espaço aberto para que eles pudessem
perguntar.
Eles perguntaram várias coisas, e tudo foi devidamente respondido.
Depois uma menina da turma, disse algo mais ou menos assim:
"Eu vejo que você é muito feliz!
Eu respondi:
"Sim, eu sou mesmo feliz. Primeiramente porquê eu me aceito como eu sou.
Depois porquê eu me amo. Antes de amar os outros, primeiro eu tenho que
me amar, pois se eu não me amo, não posso amar ao próximo.
Depois que eu disse isso, todo mundo me aplaudiu em peso, e eu fiquei
vermelha e feliz!
Também acabei me emocionando com o que eu mesma havia dito.
É assim mesmo!
Depois o Paulo disse que eles estão querendo fazerem um trabalho de
conscientização dentro do Senai, e que nossa turma participará
ativamente disso tudo.
Eu até divulguei meu blog lá, e pelo que fiquei sabendo, tem muita gente
o visitando.
Antes de deixar a turma, eu fui abraçada por algumas pessoas, dentre
elas a Bruna, a Fernanda e a Lindiane. Desculpem caso eu tenha me
esquecido de alguém.
Nesse mesmo dia, eu completei 1 mês de namoro, e é claro que esta data
foi mais do que especial pra mim.
Queria que ele pudesse ter estado em Vitória, mais infelizmente não foi
possível.
Infelizmente nós convivemos com a distância, que nos impede de estarmos
juntos tantas vezes como desejamos.
Não tem jeito, e precisamos suportarmos isso. Mesmo sendo extremamente
difícil.
No dia 12, eu acabei não indo ao curso, pois perdi a hora. Não gostei
disso, mas não havia como voltar atrás.
Durante a tarde, acabei dormindo um pouco, e depois escrevi uma carta
pro meu amor, por causa do dia dos namorados. Infelizmente, também não
nos vemos neste dia por causa do trabalho dele.
Isso foi horrível, mais que nós poderíamos fazer? Nada né.
Também aproveitei pra conversar com um super amigo meu do RJ, e foi
super legal, falamos sobre vários temas super interessantes.
Quando eram por volta de 18:00, meu celular toca, e para a minha
surpresa era uma telemensagem mandada pelo meu amor.
A mensagem foi linda, contou a nossa história.
Depois eu até chorei, de tão emocionada que fiquei.
Eu nem tinha palavras para expressar tudo o que estava sentindo naquele
momento. Só queria poder estar com ele, só queria sentir seu abraço e
seus beijos.
Depois eu acabei tendo um problema no meu note, e nem pude estar
retornando à rede.
Depois eu colo aqui uma coisa que eu mandei pra ele por e-mail, senão o
post fica maior do que já está.
Ainda neste mesmo dia, nós conversamos muito, e aquilo me fez um bem
absurdo.
No dia 13, eu e a minha irmã completamos 3 anos de amizade, e me doeu
muito não poder ter estado com ela, comemorando este dia, que para nós é
muito especial.
Ao longo de todo este tempo, passamos por inúmeras coisas. Vivemos
momentos inesquecíveis. Superamos inúmeros obstáculos, inúmeras opiniões
contrárias. Superamos a distância em nome do que nos une. Um sentimento
que é capaz de ultrapassar as maiores dificuldades. Um sentimento que
chamamos de amor!
Irmãzinha, eu te amo!
No fim de semana, meu amor não pôde estar vindo até Vitória, por conta
de alguns problemas que ele teve de última hora.
É claro que eu fiquei super triste com isso, mais não dava pra ele vir.
Na segunda nós tivemos outra aula prática.
Dessa vez, foi com a turma do Ronaldo. A mesma que eu havia ido dar a
minha primeira palestra.
No primeiro momento, nós fomos testar um material super interessante,
chamado Luva Química. Este produto é uma espécie de creme, que é usado
nas mãos, antes que a graxa toque a nossa pele. Usa-se este produto,
para qe a graxa, ou outro material que seja de difícil reirada saia mais
facilmente após ser utilizado.
Uma coisa eu posso falar. Esse produto tem um cheiro agradável, e não
irrita a pele. Pelo menos a minha não irritou.
Daí eles explicaram alguns procedimentos de segurança quanto a
utilização de alguns produtos, principalmente os de limpeza.
Nós conversamos com eles, que foram super receptivos. Quem estava nos
explicando eram o Marlonn, a Rose, e mais alguns, que infelizmente me
esqueci os nomes, me desculpem.
Depois do intervalo, nós retornamos a aula prática, e dessa vez nós
fomos ver vários equipamentos de segurança, como os óculos de proteção,
alguns tipos de luva, para cada tipo de produto, a faixa refletora, os
capacetes, os protetores auriculares, as máscaras, as botinas e etc.
Eu como sou extremamente curiosa, fiz questão de pôr a mão em tudo, e
também tirei foto com todos os equipamentos que foram possíveis. Eu sou
assim mesmo.
Depois, nós ainda conversamos muito, e a Mirian viveu uma experiência
super bacana.
Vou divulgar ela aqui, pois creio que ela não vá se importar com isso.
Ela fechou os olhos, pegou uma bengala, e a Adriele a guiou até a nossa
sala. Foi um caminho não muito curto, mais que já deu a ela a sensação
de ser uma dv, pelo menos por alguns minutos.
Ao final, ela disse que se sentiu perdida, sem direção.
É assim mesmo, pois quem enxerga, está acostumado a ver, e quando fica
privado disso, sente-se perdido.
Eu achei super legal essa experiência dela, e pelo que eu vi, ela também
gostou. Acho que nem deu pra tirar foto.
Depois que tudo foi concluído, eles nos agradeceram pela presença, e nós
voltamos para a sala.
No dia seguinte, tivemos outra aula prática.
Dessa vez, foi com uma turma diferente.
Seus nomes são: Adriele, Brenda, Caio, Daniela, Margarete, Raquel, Samara,
dentre outros cujos nomes não me recordo.
Fomos até o setor automotivo, e conhecemos um carro, e também aprendemos
sobre vários tipos de estintores.
Foi super legal esta explicação.
Eu conversei muito com a Adriele e com a Brenda. A Adriele é doidinha,
adorei, me fez rir muito!
A Brenda também é super legal, adorei ela!
Depois do intervalo, nós retornamos ao setor automotivo, e dessa vez,
fomos cada um dos dvs, contarmos as nossas histórias.
Eu fui a última.
Até que eu não falei muito tá gente, foi legal, e todo mundo aplaudiu,
não só a mim, mais a todos também.
Diante de todas estas palestras que aconteceram no Senai por nossa
causa, eu só falo uma coisa. Está havendo sim uma maior conscientização
dos alunos e funcionários do Senai em relação a nós, os deficientes,
principalmente os visuais.
Eles estão nos ajudando bastante. Eu mesma posso comprovar isso, pois já
fui ajudada por pessoas que eu nem fazia ideia que existiam ali dentro.
Agora não somos mais a turma de "deficientes", somos a turma do Senai.
As pessoas tem nos ajudado sim, e isso é fantástico.
Tem algumas pessoas lá que me chamam de "A menina do blog", por causa do
meu blog, que eu divulguei nas palestras que fiz.
E isso é como uma bola de neve né, divulguei pra uns, que divulgaram pra
outros, e daí deu nisso, todo mundo lá sabe do meu blog. Pra falar a
verdade, nem acho isso ruim. É bom que as pessoas venham, e assim possam
conhecer mais do universo de um deficiente visual.
Um universo que para alguns é tão desconhecido como as profundesas do
mar, ou a imensidão do céu.
Na segunda-feira, eu retornei à rede, mas só através do celular. Não
tinha conseguido retornar antes, pois meu Talks, tinha dado problema.
Com a ajuda da Adriele, consegui resolver o problema.
Estava morrendo de saudades da rede, e principalmente da minha irmã!
Conversamos muito, e ela me deu uma notícia maravilhosa!
Ela vai ser mamãe!
Eu fiquei extremamente feliz e emocionada. Ela e o Fernando merecem isso
e muito mais. Eles esperaram esse bebê por um super tempo.
Estou amando ser tia!
Já estou mega apaixonada por ele (a).
Não tem como ser diferente!
Na quinta, tive minha primeira aula de AVD, (Atividade da vida Diária),
que é dada pela Luciana, que eu já conheço desde criancinha.
Ela é super legal, e nesta aula, foram eu e mais 2 alunos.
Neste primeiro dia, ela nos explicou o objetivo desta aula, que é o de
nos ensinarmos a nos virarmos em nossas casas.
Esta aula tem como tema principal, nosso aprendizado das tarefas da vida
diária, como limpar uma casa, cozinhar, etc.
Estou louca para aprender isso.
Neste primeiro dia, ficamos mais na conversa mesmo.
Na sexta, nós fizemos uma festa de despedida para a Schirley.
Infelizmente, suas aulas com a nossa turma acabaram.
Antes de começarmos a festa, nós ainda tivemos uma aula no 1º horário,
sobre vários riscos, principalmente as queimaduras. Ela até citou uma
pomada ótima para queimaduras, que é pouco conhecida, a Sulfadiazina de
Prata. Esta pomada não é divulgada pelos meios de comunicação existentes
hoje, ninguém sabe o motivo.
Daí no intervalo nós chamamos a Schirley para o meio da sala, e dissemos
que naquele dia era aniversário da Vânia.
Depois acabamos revelando a ela toda a verdade, e ela ficou extremamente
emocionada com tudo aquilo.
Não era pra menos né gente. Enganamos ela direitinho!
Cada um levou uma coisa, e fizemos aquela festinha basica.
Depois que a Vânia disse algumas palavras, quem falou fui eu.
Agradeci a Schirley por tudo, principalmente pela paciência, dedicação,
simpatia com que sempre nos tratou.
Ela acabou se emocionando com o que eu disse, e até eu mesma me
emocionei. Faltou pouco para eu chorar.
Depois mais algumas pessoas foram dizer algumas coisas, e no fim,
fizemos uma oração.
Depois começamos a comilança. A Vânia levou um bolo de prestígio que
estava simplesmente maravilhoso, perfeito! Comi 2 pedaços. Não deu pra
resistir. E a minha dieta, como que fica?
Não teve como ficar sem comer, por mais que eu quisesse maneirar.
Até a Fran apareceu lá.
Depois de tanta festa, era hora de retornar ao conteúdo, que estava no
fim.
Fomos aprender a fazer RCP, (Ressucitação Cardio Pulmonar). Para isso
utilizamos uma boneca, e cada um de nós foi tentar.
Depois que a Schirley nos explicou o que deveríamos fazer, cada um foi
tentar.
Na minha vez, a boneca não ressucitou não. Não tive força o suficiente
pra bater no pulmão dela, sei lá. Foi meio difícil, mais também não
deixou de ser proveitoso.
Ao fim da aula nos despedimos da Schirley com absoluta certeza de que
havíamos sim aprendido muito ao longo de 3 semanas de convivência.
Saímos de lá com a certeza de que os conteúdos ministrados em sala de
aula, seriam levados conosco para nossas vidas pessoais e profissionais.
Eu mesma pessoalmente, levarei tudo o que aprendi ali para o resto da
minha vida.
E é como eu digo sempre: "Tudo o que nos marca, jamais é esquecido de
nossos corações".
E foi isso o que a Schirley fez. Ela entrou, me marcou, e jamais será
esquecida.
No fim de semana, meu amor também não pôde estar vindo aqui, pois
aconteceu uma festa em Santa Teresa, e por este motivo, ele teve que
ficar trabalhando.
É claro que eu fiquei super triste com isso, e ele também, mas não tínhamos o que fazer.
Ele disse que a partir de agora, não vai mais pegar plantão aos fins de
semana. Ele tem outros compromissos fora do hospital, e agora tem eu né,
não dá para esquecermos isso.
Na segunda, assistimos a uma palestra sobre treinamento em autura, com a
turma do professor Gutemberg, que eu não conheço muito bem.
Mas essa palestra não foi muito proveitosa não. Primeiro que as pessoas
que estavam apresentando o trabalho, não se conscientizaram de que no
meio dos ouvintes, havia uma turma de deficientes visuais. Elas não
tiveram tato para explicar as coisas, que eram na maioria das vezes
extremamente visuais.
Graças a Deus, a Lindiane, da turma do Paulo, se sentou próximo a mim, e
me explicou o que estava se passando na tela.
Se não fosse ela, nem sei como faríamos. Certamente não faríamos nada.
Teve uma hora, que nos entregaram um papel para que respondêssemos há
algumas perguntas.
A menina que nos entregou o papel, disse assim:
"Eles enxergam"?
E eu estava do lado dela, não tinha como ela fingir que não viu.
Por quê ela não perguntou diretamente a mim? Não gosto de pessoas assim.
Que pensam que cego não sabe responder, que não sabe conversar, que não
pensa.
Ô, eu sou cega, não surda ou muda!
Nós deixamos logo o local, e nem voltamos para a 2ª parte da mesma. Não
valeria apena.
Na terça, eu tive a aula de AVD no shopping Vitória, e foi super legal.
Dessa vez só fui eu, pois os outros alunos faltaram.
Nós fomos até a Polly Shop, onde vimos várias coisas. A fritadeira sem
óleo, Erfray, a panela elétrica, vários tipos de cafeteiras, a vassoura
elétrica, o robô, a cadeira de massagem.
Eu queria ter visto a panificadora, mas não deu.
Depois nós ainda fomos atrás dela, mas no shopping ela estava em falta.
Depois nós fomos no Subway, e comemos um lanche lá.
Fomos eu, a Luciana e os meninos.
No dia 3, foi aniversário da minha irmã, e como eu não pude estar na
rede, desta vez por problemas nela mesma, eu deixei uma mensagem pra ela
no facebook.
Não poderia me esquecer desse dia. Ainda mais depois de tudo o que ela
já fez por mim. Ela é maravilhosa, e precisava ser lembrada neste dia,
mesmo que eu não pudesse estar fisicamente com ela.
No sábado, eu saí com o meu amor, e foi mais do que perfeito, eu amei!
Não existem nem palavras pra dizer como foi mágico, maravilhoso, o
quanto foi perfeito estar com ele.
No domingo, nós não nos vimos, por conta de alguns problemas, e é claro
que isso foi ruim, mais que eu ia fazer?
No dia 9, eu conheci várias pessoas diferentes.
Eles fazem parte da Jocum, (Jovens com uma Missão).
E foram até ao Braille para fazerem uma visita.
Foi até engraçado quando nos encontramos. Eu estava saindo da sala de
comunicação, e notei que havia um aglomerado enorme de pessoas. Como eu
sou curiosa, fui até lá, e como eu sabia que estas pessoas estariam por
ali, fui até uma delas, e a cumprimentei em inglês, com o pouco que eu
sei. Apesar de não falar muito esta língua, consegui me comunicar numa
boa com ela e com os demais.
A primeira que eu conheci se chama Jessica e mora na Califórnia, Estados
Unidos. A intérprete que estava ao lado dela se chama Ana Luíza.
Depois todos fomos para o refeitório, onde o Carlos disse algumas
palavras, depois a Beth falou mais algumas coisas, e depois os demais
membros do grupo foram se apresentando.
Havia ali a Diane, da Holanda, o Thomas, também da Holanda, a Maria, da
Alemanha, a Abby, da Alemanha, a Rosca, da África do Sul, o Weine, dos Estados Unidos, a
Ashley, dos Estados Unidos, e a Jessica, dos Estados Unidos.
Também haviam os intérpretes: Ruth, do Rio de Janeiro, Leandra, Ana,
Daniel e Carol que são daqui de Vitória.
Todos são super legais, e explicaram que estavam ali para fazerem uma
visita, e que neste mesmo dia, viajariam para o Rio de Janeiro.
Eu estava conversando muito com a Jessica. Ela é loira, tem os cabelos
lisos, finos e compridos, que batem no meio de suas costas. Ela é alta, maior
do que eu.
Ela tinha acabado de fazer 21 anos, e nós trocamos várias figurinhas.
É claro que a maior parte do diálogo, foi feita com a ajuda da
intérprete, pois eu mal falo inglês, e ela não domina muito bem o
português. Mais deu tudo certo, e nós pudemos conversarmos muito.
Deu até pra mexer no cabelo dela, claro com permissão dela mesma. Ela é
super meiga, adorei!
Depois o Thomas começou a tocar violão, e todos se puseram a cantar.
Pelo que eu fiquei sabendo, eles já cantam juntos, e as vozes deles são
super lindas juntas, formam um arranjo perfeito, capaz de agradar a
qualquer ouvido. Seus tímbres juntos, são totalmente harmônicos, e suas
canções são músicas de louvor a Deus.
Eles só cantaram em inglês, mais nem por isso deixou de ser lindo e de
me emocionar.
Depois, o Ronaldo tocou a música "Meu amor" de Jorge Vercilo no violão,
depois ele tocou "É Preciso Saber Viver" de Roberto Carlos.
Depois eu, Adriele e Alice cantamos duas músicas, e fomos super
aplaudidas. Deu até vergonha!
Depois eu voltei até onde estava a Jessica, e deu pra falar um monte,
também tirei foto com ela!
Depois nós fizemos um círculo, e a Diana disse algumas palavras, depois
ela pediu que para quem quisesse uma oração, levantasse a mão.
Eu levantei a mão, e quem orou por mim foi a Maria, juntamente com a
intérprete Carol.
Ela tocou em um assunto super profundo, e quase que eu chorei lá. Foi
Deus mesmo quem revelou isso a ela, pois não tinha como ela saber
daquilo. Mais foi super positivo sabe, me senti bem mais leve depois da
oração dela. Foi uma sensação maravilhosa, de paz, de liberdade.
Depois que ela terminou de orar, eles pediram que fizéssemos um círculo,
e eles ficaram a nossa volta, orando e correndo, de um lado para outro.
Enquanto isso, o Thomas continuou tocando violão e cantando.
Aquilo foi super legal.
Depois, eles pediram mais uma vez para que levantássemos as mãos quem
queria oração, e eu levantei mais uma vez.
Quem orou por mim foi a Ashley, e suas palavras quase me levaram as
lágrimas de novo. Quase não deu pra evitar.
Depois que ela me disse coisas que eu jamais vou esquecer, nós
conversamos um pouco, e ela também é super legal. Seus cabelos são
lisos, levemente ondulados. Adorei!
Depois eu acabei ouvindo a Jessica cantando e tocando violão. Ela canta
e toca muito em! Adorei!
Depois de conversar um pouco mais com eles, era hora de nos despedirmos.
Não gostei muito disso, mais não tinha o que fazer infelizmente. Eles
precisavam partir.
Me despedi deles com a certeza de que tinha vivido um dos dias mais
inesquecíveis da minha vida. Conheci pessoas diferentes, com culturas
diferentes, mas que carregam em seus corações, o amor a Deus, e o
desejo de levarem a palavra de Deus para os quatro cantos deste planeta.
Este é um dos objetivos da Jocum, depois colo algumas coisas sobre esta
organização aqui.
Durante a semana retrasada e passada, estive de férias do curso, e isso
foi ótimo, pois eu pude descansar.
Eu vi meu amor no dia 19, e foi maravilhoso como sempre. Na hora de me
despedir, foi horrível, eu não queria não, nem ele.
Mais infelizmente não temos o que fazer.
Amanhã minha rotina volta a sua normalidade. Acordar cedo, e ir pro
curso. Depois eu tenho que reso,ver umas coisas a tarde.
Também ando lendo muito, e logo mais eu volto aqui pra falar sobre isso.
Um beijão para todos (as), fiquem com Deus!
Qualquer coisa, eu volto!
segunda-feira, 12 de maio de 2014
-Meu namoro!- #Feliz!
Ois gente! Já faz um tempinho que eu não atualizo o blog falando de mim, mas hoje não vai dar pra fazer isso.
Hoje esse post é por um motivo muito especial, que me deixa muito bem, alegre, enfim.
Eu vou tentar fazer um resumo, para que todos possam entender.
Eu conheço o Stéfhan desde 2008 mais ou menos.
Só que ele mora em outra cidade, e a gente não conversava muito e tals.
Daí esse ano nos reaproximamos através do Carlos, e começamos a conversar.
A cada conversa, íamos descobrindo mais particularidades um do outro, e isso nos aproximou muito. Sempre conversamos sobre diversos assuntos, desde músicas, livros, enfim.
No fim de semana retrasado, fomos uma turma de amigos pra casa do Carlos, onde nos divertimos muito! Foi perfeito!
Daí o Stéfhan também estava, mas não deu para conversarmos muito, pois tinha muita gente, e tals.
Daí semana passada, eu descobri em mim sentimentos diferentes dos da amizade, mas a princípio, não queria admitir, devido há várias coisas do meu passado.
Mas ontem nós resolvemos conversar, e surpresa: Ele me pediu em namoro!
E eu aceitei! Apesar de ter vários medos, vários receios, eu resolvi embarcar nesta viagem, e ver no que vai dar. Eu só peço a Deus que ele nos abençoe, guarde este relacionamento que está se iniciando. Que tudo seja feito de acordo com a vontade dele. Que ele seja a nossa rocha. Que nós confiemos sempre nele. Espero fazê-lo feliz, e ser tudo aquilo que ele espera. Espero fazer de teus dias uma completa felicidade. Espero ser além de sua namorada, sua amiga! #Deus, obrigada por ter me concedido esta bênção! Obrigada por tudo, principalmente por ser o meu Deus, nosso Deus. Que Deus nos abençoe nesta nova caminhada! #Muito Feliz!
sábado, 10 de maio de 2014
-Ser mãe.
Ser Mãe
Ser mãe não é apenas carregar no ventre, por alguns meses, um óvulo fecundado! Ser mãe não é somente passar pela dor cruciante de trazer um filho ao mundo! Ser mãe não é simplesmente dar o alimento, vestir e cuidar do físico e dos estudos! Ser mãe não é embonecar uma criança, fazendo dela um enfeite, um “bibelô”! Ser mãe é muito mais do que isso! Ser mãe é dividir o que se tem, sempre priorizando os filhos; Ser mãe é cuidar, amar, amar e amar! Ser mãe é depender da graça de Deus dia após dia, hora após hora, minuto após minuto; Ser mãe é estar na dependência total do Deus Maravilhoso que não falta nunca, que sempre nos protege e nos ampara; Ser mãe é se sentir abençoado por ter recebido do Senhor o privilégio de tomar conta de um pequeno ser; Ser mãe é ver o seu amor imperfeito comparado ao perfeito amor do grande Deus. Ser mãe é envelhecer sorrindo; Mesmo na solidão do ninho que ficou vazio; Porque sabe que cumpriu a sua parte; E o que faltou, o Pai celeste completará; Pois dele vem a promessa: “Não temas, pois Eu estou contigo em todo momento”. Ser mãe é ser feliz somente por ser mãe!
Desconheço autoria.
segunda-feira, 21 de abril de 2014
Meus devaneios. Agradecendo a Deus por tudo.
Oois galerinha! Tudo bem com todos? Espero que o feriadão de vocês esteja sendo repleto de paz! Eu ia postar ontem, mas acabei enrolando e não postando!
Hoje esse post será como diz o título sobre meus devaneios.
Hoje é um dia super feliz para mim, e por isto mesmo, me lembro dos momentos tristes que já vivi.
No ano passado, você que lê este blog há muito tempo, sabe que eu não estava vivendo um momento lá muito feliz. Estava em depressão, com os nervos a flor da pele. Estava perdida, sufocada, me sentia sozinha, desamparada, incompreendida. Me sentia sozinha no mar da vida.
Pra quem acha que isso não é possível, eu digo: sim, isto é possível. Me sentia sozinha, mesmo estando cercada por muitos. Parece ser esquisito, né? Mas não é não! Só quem vive algo parecido sabe como é.
E pra piorar ainda mais, naquela época, eu e a Dorinha vivemos um dos piores, senão o pior momento falando da nossa amizade. Brigamos feio, ficamos um super tempo sem nos falarmos. Enfim, não vou me estender muito nisso, pois tudo já foi dito no ano passado. Ambas sofremos, choramos, mas ao final, vencemos! Provamos que a nossa amizade está acima de tudo, e até de nós mesmas, que achávamos que tudo estava perdido.
Mais daí gente, ontem, assim que abri meus olhos, às 9:00 da manhã, (incrível isso, ainda mais sendo domingo), mas enfim. Acho que meu corpo já se acostumou a acordar cedo.
Eu dobrei meus joelhos no chão, e conversei com Deus. O agradeci por todas as bênçãos em minha vida, e até pelos tropeços, que me ensinaram o quanto eu sou forte. O agradeci pela minha tristeza no ano passado, pois foi através dela, que agora, eu posso aproveitar as coisas boas que estão acontecendo na minha vida.
O curso que eu comecei semana passada, as professoras, os colegas super legais, o fato de estar tudo tranquilo entre mim e a minha irmã. Estamos super bem, mais unidas e grudadas do que nunca.
Por isso eu digo a vocês: Por mais que as coisas pareçam serem difíceis, elas não são. Depois das lutas, a vitória sempre vem, mesmo que demore, mesmo que pareça que está tudo perdido, mesmo que as forças queiram se acabarem. É Deus que nos dá forças, para suportarmos as adversidades da vida.
Tem uma frase que eu gosto muito que diz: "Quanto maior a luta, maior será a vitória".
Por isso eu digo a vocês que hoje estou feliz. Minhas emoções encontram-se no lugar, apesar de ter algums problemas pessoais, aliás, quem não os tem? Eu não me deixo abater. Sei que um dia minha vitória vai chegar, mesmo que demore, mesmo que meus pés se cansem de caminhar, mesmo que a sociedade diga que eu não vou conseguir, que eu devo parar. Eu não paro, não desisto dos meus objetivos, não desisto de ser quem eu sou. Não desisto de lutar, mesmo que as forças queiram se acabar. Não desisto de esperar, mesmo que o mundo venha se abalar. Não desisto de ser feliz, mesmo que eu não enxergue um palmo à frente do meu nariz. Não desisto de sonhar, mesmo que todos me digam que nunca vou realizar.
Sou muito mais do que dizem, falam, pensam, imaginam. Não cheguei até aqui à toa. Não sobrevivi por nada, não sou filha de um Deus que minta, quando diz que a minha vitória chegará.
Mesmo que demore,mesmo que se passem anos, mesmo que os dias venham se pintar de negro, mesmo que eu me canse, mesmo que eu pense que estou sozinha, eu sei e creio que não estou.
Te agradeço hoje Deus, por tudo o que o Senhor fez até agora em minha vida.
Tudo entrego nas tuas mãos, que o Senhhor faça o melhor.
Obrigada por cada oportunidade que me deu, por cada pedra em meu caminho, pois foi através delas, que eu consegui construir a minha escada, que ainda tem muito o que crescer, pois a vida é assim, um jogo de erros e acertos, de perdas e ganhos, mas que nos levam ao topo da nossa montanha.
No ano passado eu estava triste, desamparada, estava chorando. Hoje estou feliz, rindo à toa, usufruindo dos frutos da fé, das promessas deste Deus que não falha, que não me desampara, que não me abandona nunca, mesmo que por vezes eu me esqueça dele.
O que eu relatei aqui, vale para você também. Quantas vezes você se sentiu sozinho (a), perdido (a)? Foram muitas, né? Afinal, somos seres humanos, imperfeitos. Mas eu queria dizer a você, que tem alguém que nunca nos abandona, nunca nos desampara, nunca nos deixa sós.
Bom gente, eu vou deixando de devanear.
Outro dia eu volto pra contar mais coisas.
Desejo um bom feriado para todos (as), e que nesta Páscoa vocês tenham se lembrado do verdadeiro espírito da Páscoa, que não é apenas o de se reunir com a família e se entupir de chocolate, mas Páscoa é renascimento, e nos lembrarmos do grande sacrifício feito por Jesus naquela cruz para nos salvar.
Deus, obrigada por tudo, principalmente por seu imenso amor por mim! Mesmo eu não merecendo nada disso, tu foi capaz de se sacrificar, somente por me amar!
sexta-feira, 18 de abril de 2014
-Minha primeira semana no curso.-
Oois galerinha! Olha eu aqui de novo!
Vocês vão dizer: "Que essa menina está fazendo aqui de novo"? Calma, já digo a vocês.
Como o título já diz, vou contar a vocês, como foi a minha primeira semana no curso.
Nos 2 primeiros dias, eu já contei aqui mais ou menos o que aconteceu.
Então vou contar da quarta e de ontem.
Na quarta, eu tinha que ir de manhã cedo pro Braille, por causa da eleição, e bla bla bla. Não vou me extender no assunto, porquê isso já foi tema do post anterior.
Daí a aula estava mega vazia, porquê praticamente metade da turma havia faltado.
Nós acabamos começando a falar sobre cidadania, pois os recursos que a Mirian usaria, não deram certo.
Daí a Thaís apareceu lá, e nos entregou o cartão do vale transporte.
Depois a Mirian sugeriu que fizéssemos um momento de lazer, que seria ou uma vez por semana, ou por mês.
No fim da aula, eu fui pro ponto, e a Penha mãe da Mayra me ajudou a pegar um ônibus.
Cheguei no Braille, e esperei um mega tempo.
Quando tudo acabou, meus pés estavam me matando, doendo muito, pois passei várias horas em pé.
Mas tudo valeu apena!
Quando cheguei em casa, eu estava morta. Ainda conversei um pouquinho com a Dorinha e com mais alguns amigos, e fui logo dormir.
Ontem, a nossa aula foi meio que a repetição da aula de quarta, com mais vários detalhes super interessantes.
A Mirian nos ensinou, que não basta nascer, para ser cidadão brasileiro, mas tem que exercer a cidadania de forma consciente, conhecendo nossos direitos e deveres, dentre outras coisas mais.
Ela até nos contou sobre uma humilhação sofrida.
Não divulgarei a mesma aqui, pois não diz respeito a mim.
Só digo uma coisa:
As pessoas são muito injustas, agem antes de pensar, e nem sequer pensam na humilhação que seus atos possam causar a alguém.
Isso me revolta muito.
Espero que um dia nossa sociedade possa ser 100% igualitária, e que os seres humanos tenham a consciência de que todos somos iguais, filhos do mesmo Deus.
Ninguém é melhor do que ninguém.
Estamos aqui para acrescentar, não para humilhar ou diminuir ninguém.
Daí depois fomos eu, Alice, Adriele, Alex e Herica pro Braille, e acabamos almoçando lá.
Fiquei lá até umas 16:00, e depois vim pra casa, morta de cansaço.
Não suportava fazer nada, tanto é, que me deixaram mensagens no facebook, e eu nem respondi.
Fazendo uma avaliação da minha semana, eu digo que ela foi super positiva.
Este curso está me ensinando mais do que um simples curso. Através das explicações da professora, eu posso fazer o que mais gosto, que é aprender, e acabo me colocando no lugar das outras pessoas.
A Mirian tem se mostrado uma excelente professora. Com sua didática, nos coloca frente à frente com exemplos comuns no nosso dia-a dia.
Para mim, a experiência tem sido mais do que proveitosa.
Espero mesmo que ao fim deste curso, possamos sermos contratados, e estarmos inceridos no mercado de trabalho, coisa que para quem é deficiente visual, é muito difícil, pelo menos aqui no Espírito Santo.
A Gina também é super legal. Apesar de sua timidez, ela é uma pessoa que está sempre disponível a nos ajudar.
Bom galera, essa foi a minha primeira semana de curso.
Estou descansando até segunda-feira.
Terça eu volto, a acordar 6:00 da manhã!
Nesse feriadão estou em casa mesmo, sem planos de viagem.
Qualquer coisa eu volto!
A eleição no Braille. A vitória é de todos nós!
Ois galera! Hoje é sexta-feira de feriado, e era para eu ter vindo postar ontem, mas eu estava um caco, e acabei dormindo cedo.
Na quarta, dia 16/02, foi um dia histórico para o Instituto Luiz Braille do Espírito Santo, conhecido também como ILBES.
Neste dia, ocorreu uma Assembleia Geral para a eleição da nova diretoria da Instituição.
A primeira chamada, aconteceu às 9:00 da manhã, e a votação prosseguiu até por volta de 13:40.
Os portões ficaram abertos até às 12:00, e depois somente os que estavam lá dentro votaram.
Tinha uma fila imensa, parecia 3ª ponte congestionada.
(Quem mora em Vitória ou Vila Velha sabe do que eu tô falando).
Tinham muitos cegos, e ainda bem, pois isto foi essencial para que a chapa 100%, ganhasse a eleição por 64 votos a 19.
Esta chapa, é composta somente por deficientes visuais.
Eu faço parte da mesma, como Secretária.
As reuniões acontecem desde Janeiro desse ano, e eu não divulguei aqui, pois não podia.
Daí eu que não ia falhar com o combinado, né?
Nossa vitória foi linda e merecida. Durante seus mais de 60 anos de existência, o ILBES nunca foi totalmente administrado por deficientes visuais. E a Beth, é a primeira mulher a ser eleita presidente da Instituição.
O novo tempo chegou. Um tempo de mudanças, de novas oportunidades, um tempo de crescimento para todos da instituição, e os que dela dependem.
Durante tantos anos, esta instituição veio sofrendo com más administrações, com pessoas que colocavam seus próprios interesses acima dos da categoria dv.
Eu estudei no Braille de 94 à 2004, e já vi o instituto passar por diversas mudanças. Antigamente, quando ele era administrado pela maçonaria, a situação não era tão precária como está atualmente.
As discussões da diretoria, nunca chegavam a nós, alunos.
Hoje em dia, o Braille enfrenta problemas junto a União, com uma dívida altíssima. O ex-presidente deixou pouco dinheiro, para ser mais exata, quase nada em caixa. As dívidas com ex-funcionários são imensas.
O que temos que fazer, antes de pensarmos em reformas físicas, é estruturar as finanças, ou seja, colocar a casa em ordem, pois só assim poderemos fazer o que nós nos propusemos, ainda quando estávamos em reunião.
Coloco o Braille nas mãos de Deus, pedindo que ele nos guie, nos dê discernimento, nos direcione no caminho que devemos seguir. Que ele nos ajude nesta nova caminhada, e que ao fim dos 3 anos de mandado, nós possamos nos sair vitoriosos, e provar que ser deficiente visual não é ser incapaz.
A vitória não é só da chapa 100%, mas sim de todos os deficientes visuais.
Tem sabor de mel, tem sabor de mel.
A minha vitória hoje tem sabor de mel.
Até mais gente!
terça-feira, 15 de abril de 2014
Ética, o texto prometido.
Ética
A palavra "ética" é derivada do grego á¼ ¸¹ºÌ (ethikos), e significa
aquilo que pertence ao ἦ¸¿Â [ 1 ] (ethos), que significava "bom
costume ", "costume superior", ou "portador de caráter " [ 2 ] .
Diferencia-se da moral , pois, enquanto esta se fundamenta na obediência
a costumes e hábitos recebidos, a ética, ao contrário, busca fundamentar
as ações morais exclusivamente pela razão . [ 3 ] [ 4 ]
Na filosofia clássica , a ética não se resumia à moral (entendida como
"costume", ou "hábito", do latim mos, mores ), mas buscava a
fundamentação teórica para encontrar o melhor modo de viver e conviver,
isto é, a busca do melhor estilo de vida , tanto na vida privada quanto
em público . A ética incluía a maioria dos campos de conhecimento que
não eram abrangidos na física , metafísica , estética , na lógica , na
dialética e nem na retórica . Assim, a ética abrangia os campos que
atualmente são denominados antropologia , psicologia , sociologia ,
economia , pedagogia , às vezes política , e até mesmo educação física e
dietética , em suma, campos direta ou indiretamente ligados ao que
influi na maneira de viver ou estilo de vida. Um exemplo desta visão
clássica da ética pode ser encontrado na obra Ética , de Spinoza .
Porém, com a crescente profissionalização e especialização do
conhecimento que se seguiu à revolução industrial , a maioria dos campos
que eram objeto de estudo da filosofia, particularmente da ética, foram
estabelecidos como disciplinas científicas independentes. Assim, é comum
que atualmente a ética seja definida como "a área da filosofia que se
ocupa do estudo das normas morais nas sociedades humanas" [ 5 ] e busca
explicar e justificar os costumes de um determinado agrupamento humano,
bem como fornecer subsídios para a solução de seus dilemas mais comuns.
Neste sentido, ética pode ser definida como a ciência que estuda a
conduta humana e a moral é a qualidade desta conduta, quando julga-se do
ponto de vista do Bem e do Mal.
A ética também não deve ser confundida com a lei , embora com certa
frequência a lei tenha como base princípios éticos. Ao contrário do que
ocorre com a lei, nenhum indivíduo pode ser compelido, pelo Estado ou
por outros indivíduos, a cumprir as normas éticas, nem sofrer qualquer
sanção pela desobediência a estas; por outro lado, a lei pode ser omissa
quanto a questões abrangidas no escopo da ética.
Definição e objeto de estudo.
O estudo da ética dentro da filosofia, pode-se dividir em sub-ramos,
após o advento da filosofia analítica no séc XX, em contraste com a
filosofia continental ou com a tradição filosófica. Estas subdivisões
são:
* Metaética , sobre a teoria da significação e da referencia dos
termos e proposições morais e como seus valores de verdade podem ser
determinados
* Ética normativa , sobre os meios práticos de se determinar as
ações morais
* Ética aplicada , sobre como a moral é aplicada em situações
específicas
* Ética descritiva, também conhecido como ética comparativa, é o
estudo das visões, descrições e crenças que se tem acerca da moral
* Ética Moral, trata-se de uma reflexão sobre o valor das ações
sociais consideradas tanto no âmbito coletivo como no âmbito individual.
Termo.
Em seu sentido mais abrangente, o termo "ética" implicaria um exame dos
hábitos da espécie humana e do seu caráter em geral, e envolveria até
mesmo uma descrição ou história dos hábitos humanos em sociedades
específicas e em diferentes épocas. Um campo de estudos assim seria
obviamente muito vasto para poder ser investigado por qualquer ciência
ou filosofia particular. Além disso, porções desse campo já são ocupadas
pela história , pela antropologia e por algumas ciências naturais
particulares (como, p. ex., a fisiologia , a anatomia e a biologia ),
uma vez que os hábitos e o caráter dos homens dependem dos processos
materiais que essas ciências examinam. Até mesmo áreas da filosofia como
a lógica e a estética seriam necessárias em tal investigação, se
considerarmos que o pensamento e a realização artística são hábitos
humanos normais e elementos de seu caráter. No entanto, a ética,
propriamente dita, restringe-se ao campo particular do caráter e da
conduta humana à medida que esses estão relacionados a certos princípios
– comumente chamados de "princípios morais". As pessoas geralmente
caracterizam a própria conduta e a de outras pessoas empregando
adjetivos como "bom", "mau", "certo" e "errado". A ética investiga
justamente o significado e escopo desses adjetivos tanto em relação à
conduta humana como em seu sentido fundamental e absoluto. [ 1 ]
Outras definições.
Já houve quem definisse a ética como a "ciência da conduta". Essa
definição é imprecisa por várias razões. As ciências são descritivas ou
experimentais, mas uma descrição exaustiva de quais ações ou quais
finalidades são ou foram chamadas, no presente e no passado, de "boas"
ou "más" encontra-se obviamente além das capacidades humanas. E os
experimentos em questões morais (sem considerar as consequências
práticas inconvenientes que provavelmente propiciariam) são inúteis para
os propósitos da ética, pois a consciência moral seria instantaneamente
chamada para a elaboração do experimento e para fornecer o tema de que
trata o experimento. A ética é uma filosofia, não uma ciência. A
filosofia é um processo de reflexão sobre os pressupostos subjacentes ao
pensamento irrefletido. Na lógica e na metafísica ela investiga,
respectivamente, os próprios processos de raciocínio e as concepções de
causa , substância , espaço e tempo que a consciência científica
ordinária não tematiza nem critica. No campo da ética, a filosofia
investiga a consciência moral , que desde sempre pronuncia juízos morais
sem hesitação, e reivindica autoridade para submeter a críticas
contínuas as instituições e formas de vida social que ela mesma ajudou a
criar. [ 1 ]
Quando começa a especulação ética, concepções como as de dever ,
responsabilidade e vontade – tomadas como objetos últimos de aprovação
e desaprovação moral – já estão dadas e já se encontram há muito tempo
em operação. A filosofia moral, em certo sentido, não acrescenta nada a
essas concepções, embora as apresente sob uma luz mais clara. Os
problemas da consciência moral, no instante em que essa pela primeira
vez se torna reflexiva não se apresentam, estritamente falando, como
problemas filosóficos. [ 1 ]
Ela se ocupa dessas questões justamente porque cada indivíduo que deseja
agir corretamente é constantemente chamado a responder questões como,
por exemplo, "Que ação particular atenderá os critérios de justiça sob
tais e tais circunstâncias?" ou "Que grau de ignorância permitirá que
esta pessoa particular, nesse caso particular, exima-se de
responsabilidade?" A consciência moral tenta obter um conhecimento tão
completo quanto possível das circunstâncias em que a ação considerada
deverá ser executada, do caráter dos indivíduos que poderão ser
afetados, e das consequências (à medida que possam ser previstas) que a
ação produzirá, para então, em virtude de sua própria capacidade de
discriminação moral, pronunciar um juízo. [ 1 ]
O problema recorrente da consciência moral, "O que devo fazer?", é um
problema que recebe uma resposta mais clara e definitiva à medida que os
indivíduos se tornam mais aptos a aplicar, no curso de suas experiências
morais, aqueles princípios da consciência moral que, desde o princípio,
já eram aplicados naquelas experiências. Entretanto, há um sentido em
que se pode dizer que a filosofia moral tem origem em dificuldades
inerentes à natureza da própria moralidade, embora permaneça verdade que
as questões que a ética procura responder não são questões com as quais
a própria consciência moral jamais tenha se confrontado. [ 1 ]
O fato de que os seres humanos dão respostas diferentes a problemas
morais que pareçam semelhantes ou mesmo o simples fato de que as pessoas
desconsideram, quando agem imoralmente, os preceitos e princípios
implícitos da consciência moral produzirão certamente, cedo ou tarde, o
desejo de, por um lado, justificar a ação imoral e pôr em dúvida a
autoridade da consciência moral e a validade de seus princípios; ou de,
por outro lado, justificar juízos morais particulares, seja por uma
análise dos princípios morais envolvidos no juízo e por uma demonstração
de sua aceitação universal, seja por alguma tentativa de provar que se
chega ao juízo moral particular por um processo de inferência a partir
de alguma concepção universal do Supremo Bem ou do Fim Último do qual se
podem deduzir todos os deveres ou virtudes particulares. [ 1 ]
Pode ser que a crítica da moralidade tenha início com uma argumentação
contra as instituições morais e os códigos de ética existentes; tal
argumentação pode se originar da atividade espontânea da própria
consciência moral. Mas quando essa argumentação torna-se uma tentativa
de encontrar um critério universal de moralidade – sendo que essa
tentativa começa a ser, com efeito, um esforço de tornar a moralidade
uma disciplina científica – e especialmente quando a tentativa é
vista, tal como deve ser vista afinal, como fadada ao fracasso (dado que
a consciência moral supera todos os padrões de moralidade e realiza-se
inteiramente nos juízos particulares), pode-se dizer então que tem
início a ética como um processo de reflexão sobre a natureza da
consciência moral. [ 1 ]
A ética, independente da dimensão em que se apresenta social ou
individual, tem como objetivo, servir à vida, sua razão é o ser humano,
seu bem estar, de forma que provenha a felicidade. [ 1 ]
História da ética.
Ética na filosofia pré-socrática.
A especulação ética na Grécia não teve início abrupto e absoluto. Os
preceitos de conduta, ingênuos e fragmentários – que em todos os
lugares são as mais antigas manifestações da nascente reflexão moral
–, são um elemento destacado na poesia gnômica dos séculos VII e VI
a.C. Sua importância é revelada pela tradicional enumeração dos Sete
Sábios do século VI, e sua influência sobre o pensamento ético é
atestada pelas referências de Platão e Aristóteles . Mas, desde tais
pronunciamentos não-científicos até à filosofia da moral, foi um longo
percurso. Na sabedoria prática de Tales , um dos Sete, não conseguimos
discernir nenhuma teoria da moralidade. No caso de Pitágoras , que se
destaca entre os filósofos pré-socráticos por ser o fundador não apenas
de uma escola, mas de uma seita ou ordem comprometida com uma regra de
vida que obrigava a todos os seus membros, há uma conexão mais estreita
entre as especulações moral e metafísica. A doutrina dos pitagóricos de
que a essência da justiça (concebida como retribuição equivalente) era
um número quadrado indica uma tentativa séria de estender ao reino da
conduta sua concepção matemática do universo; e o mesmo se pode dizer de
sua classificação do bem ao lado da unidade , da reta e semelhantes e do
mal ao lado das qualidades opostas. Ainda assim, o pronunciamento de
preceitos morais por Pitágoras parece ter sido dogmático , ou mesmo
profético , em vez de filosófico, e ter sido aceito por seus discípulos,
numa reverência não-filosófica, como o ipse dixit do mestre. Portanto,
qualquer que tenha sido a influência da mistura pitagórica de noções
éticas e matemáticas sobre Platão, e, por meio deste, sobre o pensamento
posterior, não podemos ver a escola como uma precursora de uma
investigação socrática que buscasse uma teoria da conduta completamente
racional. O elemento ético do "obscuro" filosofar de Heráclito (c.
530-470 a.C.) – embora antecipasse o estoicismo em sua concepção de
uma lei do universo, com a qual o sábio buscará se conformar, e de uma
harmonia divina, no reconhecimento da qual encontrará sua satisfação
mais verdadeira – é mais profunda, mas ainda menos sistemática. Apenas
quando chegamos a Demócrito , um contemporâneo de Sócrates e último dos
pensadores originais que classificamos como pré-socráticos, encontramos
algo que se pode chamar de sistema ético. Os fragmentos que permaneceram
dos tratados morais de Demócrito são talvez suficientes para nos
convencer de que reviravolta da filosofia grega em direção à conduta,
que se deveu de fato a Sócrates, teria ocorrido mesmo sem ele, ainda que
de uma forma menos decidida; mas, quando comparamos a ética democriteana
com o sistema pós-socrático com o qual tem mais afinidade – o
epicurismo – descobrimos que ela exibe uma apreensão bem rudimentar
das condições formais que o ensinamento moral deve atender antes que
possa reivindicar o tratamento dedicado às ciências.
A verdade é que nenhum tipo de sistema de ética poderia ter sido
construído até que se direcionasse a atenção à vagueza e inconsistência
das opiniões morais comuns da humanidade. Para esse propósito, era
necessário que um intelecto filosófico de primeira grandeza se
concentrasse sobre os problemas da prática. Em Sócrates, encontramos
pela primeira vez a requerida combinação de um interesse proeminente
pela conduta com um desejo ardente por conhecimento. Os pensadores
pré-socráticos devotaram-se todos principalmente à pesquisa ontológica ;
mas, pela metade do século V a.C. o conflito entre seus sistemas
dogmáticos havia levado algumas das mentes mais afiadas a duvidar da
possibilidade de se penetrar no segredo do universo físico. Essa dúvida
encontrou expressão no ceticismo arrazoado de Górgias , e produziu a
famosa proposição de Protágoras de que a apreensão humana é o único
padrão de existência. O mesmo sentimento levou Sócrates a abandonar as
antigas investigações físico-metafísicas. Essa desistência foi
incentivada, sobretudo, por uma piedade ingênua que o proibia de
procurar coisas cujo conhecimento os deuses pareciam ter reservado
apenas para si mesmos. Por outro lado, (exceto em ocasiões de especial
dificuldade, nas quais se poderia recorrer a presságios e oráculos) eles
haviam deixado à razão humana a regulamentação da ação humana. A essa
investigação Sócrates dedicou seus esforços. [ 1 ]
Ética sofistica
Embora Sócrates tenha sido o primeiro a chegar a uma concepção adequada
dos problemas da conduta, a ideia geral não surgiu com ele. A reação
natural contra o dogmatismo metafísico e ético dos antigos pensadores
havia alcançado o seu clímax com os sofistas . Górgias e Protágoras são
apenas dois representantes do que, na verdade, foi uma tendência
universal a abandonar a teorização dogmática e estritamente ontológica e
a se refugiar nas questões práticas – especialmente, como era natural
na cidade-estado grega, nas relações cívicas do cidadão .
A educação oferecida pelos sofistas não tinha por objetivo nenhuma
teoria geral da vida, mas propunha-se ensinar a arte de lidar com os
assuntos mundanos e administrar negócios públicos. Em seu encômio às
virtudes do cidadão, apontaram o caráter prudencial da justiça como meio
de obter prazer e evitar a dor. Na concepção grega de sociedade, a vida
do cidadão livre consistia principalmente em suas funções públicas, e,
portanto, as declarações pseudoéticas dos sofistas satisfaziam as
expectativas da época. Não se considerava a á¼€ÁµÄá¼ ( virtude ou
excelência) como uma qualidade única, dotada de valor intrínseco, mas
como virtude do cidadão, assim como tocar bem a flauta era a virtude do
tocador de flauta. Vemos aqui, assim como em outras atividades da época,
a determinação de adquirir conhecimento técnico e de aplicá-lo
diretamente a assuntos práticos; assim como a música estava sendo
enriquecida por novos conhecimentos técnicos, a arquitetura por teorias
modernas de planejamento e réguas T (ver Hipódamo ), o comando de
soldados pelas novas técnicas da " tática " e dos " hoplitas ", do mesmo
modo a cidadania deve ser analisada como inovação, sistematizada e
adaptada conforme exigências modernas. Os sofistas estudaram esses temas
superficialmente, é certo, mas abordaram-nos de maneira abrangente, e
não é de se estranhar que tenham lançado mão dos métodos que se
mostraram bem-sucedidos na retórica e tenham-nos aplicado à "ciência e
arte" das virtudes cívicas.
O Protágoras de Platão alega, não sem razão, que ao ensinar a virtude
eles simplesmente faziam sistematicamente o que todos os outros faziam
de modo caótico. Mas no verdadeiro sentido da palavra, os sofistas não
dispunham de um sistema ético, nem fizeram contribuições substanciais,
salvo por um contraste com a especulação ética. Simplesmente analisaram
as fórmulas convencionais, de maneira bem semelhante a de certos
moralistas (assim chamados) "científicos".
Ética Socrática e seus discípulos.
A essa arena de senso-comum e vagueza, Sócrates trouxe um novo espírito
crítico, e mostrou que esses conferencistas populares, a despeito de sua
fértil eloquência, não podiam defender suas suposições fundamentais nem
sequer oferecer definições racionais do que alegavam explicar. Não só
eram assim "ignorantes" como também perenemente inconsistentes ao lidar
com casos particulares. Desse modo, com o auxílio de sua famosa "
dialética ", Sócrates primeiramente chegou ao resultado negativo de que
os pretensos mestres do povo eram tão ignorantes quanto ele mesmo
afirmava ser, e, em certa medida, justificou o encômio de Aristóteles de
ter prestado o serviço de "introduzir a indução e as definições" na
filosofia. No entanto, essa descrição de sua obra é muito técnica e
muito positiva, se a avaliamos com base nos primeiros diálogos de Platão
, em que o verdadeiro Sócrates encontra-se menos alterado. Sócrates
sustentava que a sabedoria preeminente que o oráculo de Delfos lhe
atribuiu consistia numa consciência única da ignorância. No entanto, é
igualmente claro, com base em Platão, que houve um elemento positivo
muito importante no ensinamento de Sócrates, que justifica afirmar,
junto com Alexander Bain , que "o primeiro nome importante na filosofia
ética antiga é Sócrates". A união dos elementos positivo e negativo de
sua obra tem causado não pouca perplexidade entre os historiadores, e
não podemos salvar a consistência do filósofo a menos que reconheçamos
algumas doutrinas a ele atribuídas por Xenofonte como meras tentativas
provisórias. Ainda assim, as posições de Sócrates mais importantes na
história do pensamento ético são fáceis de harmonizar com sua convicção
de ignorância e tornam ainda mais fácil compreender sua infatigável
inquirição da opinião comum. Enquanto mostrava claramente a dificuldade
de adquirir conhecimento, Sócrates estava convencido de que somente o
conhecimento poderia ser a fonte de um sistema coerente da virtude,
assim como o erro estava na origem do mal. Assim, Sócrates, pela
primeira vez na história do pensamento, propõe uma lei científica
positiva de conduta: a virtude é conhecimento. Esse princípio envolvia o
paradoxo de que a pessoa que sabe o que é o bem não pratica o mal. Mas
esse é um paradoxo derivado de seus truísmos irretorquíveis: "Toda a
pessoa deseja o seu próprio bem e obtê-lo-ia se pudesse" e "Ninguém
negaria que a justiça e a virtude em geral são bens; e entre todos, os
melhores". Todas as virtudes, portanto, estão sintetizadas no
conhecimento do bem. Mas esse bem, para Sócrates, não é um dever que se
opõe ao interesse próprio. A força do paradoxo depende de uma fusão do
dever e do interesse numa única noção de bem, uma fusão que era
prevalecente no modo de pensar da época. Isso é o que forma o núcleo do
pensamento positivo de Sócrates, segundo Xenofonte. Ele não podia
oferecer nenhuma abordagem satisfatória do Bem em abstrato, e
esquivava-se de qualquer questão sobre esse ponto dizendo que não
conhecia "nenhum bem que não fosse bom para alguma coisa em particular
", mas esse bem particular é consistente consigo mesmo. Quanto a si,
estimava acima de todas as coisas a virtude da sabedoria; e, no intuito
de alcançá-la, enfrentava a penúria mais severa, sustentando que uma
vida assim seria mais rica em satisfação que uma vida de luxo. Essa
visão multidimensional é ilustrada pela curiosa mistura de sentimentos
nobres e meramente utilitários em sua abordagem sobre a amizade: um
amigo que não nos traga benefícios não vale nada; no entanto, o maior
benefício que um amigo pode nos trazer é o aperfeiçoamento moral.
As características historicamente importantes de sua filosofia moral, se
tomarmos conjuntamente (como devemos) seus ensinamentos e o seu caráter
pessoal, podem ser sintetizados da seguinte maneira: (1) uma busca
apaixonada por um conhecimento que não está disponível em lugar algum,
mas que, se encontrado, aperfeiçoará a conduta humana; (2)
simultaneamente, uma exigência de que os homens deveriam agir na medida
do possível conforme uma teoria coerente; (3) uma adesão provisória à
concepção recebida sobre o que é bom, com toda a sua complexidade e
incoerência, e uma prontidão permanente em sustentar a harmonia de seus
diversos elementos, e em demonstrar a superioridade da virtude mediante
um apelo ao padrão do interesse próprio; (4) firmeza pessoal em adotar
essas convicções práticas. É só quando temos em vista todos esses pontos
que podemos compreender como, das conversações socráticas, brotaram as
diferentes correntes do pensamento ético grego.
Quatro escolas diferentes têm sua origem imediata no círculo que se
reuniu em torno de Sócrates – a escola megárica , a platônica , a
cínica e a cirenaica . A influência do mestre manifesta-se em todas
apesar das grandes diferenças que as separam; todas concordam em
sustentar que a possessão mais importante do homem é a sabedoria ou o
conhecimento, e que o conhecimento mais importante a ser adquirido é o
conhecimento do Bem. Aqui, no entanto, termina a concordância. A parte
mais filosófica do círculo socrático constituiu um grupo do qual
Euclides de Mégara foi provavelmente o primeiro líder. Esse grupo
admitia que o Bem era objeto de uma investigação ainda inconclusa e
foram levados a identificá-lo com o segredo do universo e, desse modo, a
passar da ética à metafísica. Outros, cujas exigências por conhecimento
eram mais facilmente satisfeitas e estavam ainda sob a impressão causada
pelo lado positivo e prático dos ensinamentos do mestre, tornaram a
busca um assunto bem mais simples. Consideraram que o Bem já era
conhecido e sustentaram que a filosofia consistia na aplicação rígida
desse conhecimento às ações. Entre esses estavam Antístenes, o cínico ,
e Aristipo de Cirene . Em virtude de ambos terem admitido o dever de
viver consistentemente conforme a teoria, em vez de conduzi-la por
impulso ou pelo costume, em virtude de sua noção de um novo valor
conferido à vida por meio dessa racionalização, e em virtude de seus
esforços em manter uma firmeza inabalável, calma e tranquila, de têmpera
socrática, é que reconhecemos Antístenes e Aristipo como "homens
socráticos", apesar de terem dividido a doutrina positiva do mestre em
sistemas diametralmente opostos. Acerca de seus princípios conflitantes,
podemos dizer que, enquanto Aristipo efetivou a transição lógica mais
óbvia para reduzir os ensinamentos de Sócrates a uma clara unidade
dogmática, Antístenes certamente extraiu a inferência mais natural que
se poderia tirar da vida socrática.
Aristipo argumentava que, se tudo o que é belo ou admirável no
comportamento deriva essas qualidades de sua utilidade, isto é, de sua
aptidão em produzir um bem maior; e, se a ação virtuosa é essencialmente
uma ação realizada com previsão – com a apreensão racional de que a
ação é o meio adequado para a aquisição daquele bem –; então aquele
bem só pode ser o prazer. Aristipo sustentava que os prazeres e dores
corporais são os mais incisivos, mas não parece ter defendido essa ideia
em termos de uma teoria materialista , pois admitia a existência de
prazeres exclusivamente mentais, tais como alegrar-se com a prosperidade
da terra natal. Admitia plenamente que esse bem poderia se realizar
apenas em partes sucessivas, e deu ênfase até exagerada à regra de
buscar o prazer do momento e não se preocupar com o futuro. Para
Aristipo, a sabedoria manifestava-se na seleção tranquila, resoluta e
habilidosa dos prazeres que as circunstâncias ofereciam de momento a
momento, sem se deixar perturbar pela paixão, pelo preconceito ou pela
superstição; e a tradição representa-o como alguém que realizou esse
ideal em grau impressionante. Entre os preconceitos dos quais o homem
sábio estaria livre, Aristipo inclui a obediência às convenções ditadas
pelo costume que não tivessem penalidades vinculadas à sua transgressão;
no entanto, sustentava, assim como Sócrates, que essas penalidades
tornavam razoável adotar uma postura de conformismo. Assim, logo nos
primórdios da teoria ética, já aparecia uma exposição completa e
minuciosa do hedonismo .
Bem diferente era a compreensão de Antístenes e dos cínicos a respeito
do espírito socrático. Eles igualmente sustentavam que nenhuma pesquisa
especulativa seria necessária à descoberta do bem e da virtude, e
defenderam que a sabedoria socrática não se exibiu numa busca habilidosa
pelo prazer; mas, ao contrário, numa indiferença racional em relação ao
prazer – numa nítida compreensão de que não há valor algum no prazer
nem em outros objetos dos desejos mais comuns acalentados pelos homens.
Antístenes, com efeito, declarou taxativamente que o prazer é um mal: "É
melhor a loucura que ceder ao prazer". Ele não desconsiderou a
necessidade de complementar o insight meramente intelectual com a "força
de espírito socrática"; mas parecia-lhe que, por uma combinação de
insight e autocontrole, a pessoa poderia conquistar uma independência
espiritual absoluta que nada deixaria faltar a um perfeito bem-estar
(ver também Diógenes de Sínope ). Pois, quanto à pobreza, à labuta
extenuante, ao desapreço e aos outros males que apavoram os homens,
esses seriam úteis, argumentava ele, como meios de avançar na liberdade
e virtude espiritual. Entretanto, na concepção cínica de sabedoria, não
há um critério positivo além da mera rejeição dos preconceitos e dos
desejos irracionais. Vimos que Sócrates não alegava ter descoberto uma
teoria abstrata sobre a boa ou sábia conduta; ao mesmo tempo, entendia
essa falta, em sentido prático, como motivo para a execução confiante
dos deveres costumeiros, sustentando sempre que sua própria felicidade
estava condicionada a essa prática. Os cínicos, de modo mais ousado,
descartaram tanto o prazer como o mero costume por considerarem ambos
irracionais; mas, ao fazerem isso, deixaram a razão liberada sem nenhum
objetivo definido além de sua própria liberdade. É absurdo, tal como
Platão apontou, dizer que o conhecimento é o bem e, depois, quando nos
indagam "conhecimento de quê?" não ter outra resposta positiva senão "do
bem"; mas os cínicos não parecem ter feito nenhum esforço sério de
escapar a esse contrassenso. [ 1 ]
As concepções mais extremas dessas duas escolas socráticas serão
retomadas quando chegarmos às escolas pós-aristotélicas; mas antes
devemos esboçar o modo como a teoria socrática foi elaborada por Platão
e Aristóteles.
Platão.
A ética de Platão não pode ser adequadamente tratada como um produto
acabado, mas antes como um movimento contínuo, a partir da posição de
Sócrates, em direção ao sistema mais completo e articulado de
Aristóteles, exceto por sugestões de teor ascético e místico em algumas
partes dos ensinamentos de Platão que não encontram correspondência em
Aristóteles, e que, de fato, desaparecem da filosofia grega logo após a
morte de Platão, para bem mais tarde ressurgirem e serem
entusiasticamente desenvolvidas pelo neopitagorismo e pelo neoplatonismo
. O primeiro ponto em que podemos identificar uma concepção ética
platônica distinta da de Sócrates está presente no Protágoras . Nesse
diálogo, Platão envida esforços genuínos, embora nitidamente
tenteadores, em definir o objeto daquele conhecimento que ele e seu
mestre consideravam ser a essência de toda a virtude. Esse conhecimento
seria na verdade uma mensuração de prazeres e dores por meio da qual o
sábio evita erroneamente subestimar as sensações futuras em comparação
com o que se costuma chamar de "ceder ao medo e ao desejo". Esse
hedonismo tem intrigado os leitores de Platão. Mas não há razão para
perplexidades, pois (como dissemos ao tratar dos cirenaicos) o hedonismo
é o corolário mais óbvio daquela doutrina socrática segundo a qual cada
uma das diferentes noções de bem – o belo, o prazeroso e o útil –
deve ser de alguma forma interpretada em termos das outras. No que diz
respeito a Platão, no entanto, essa conclusão só podia ser mantida
enquanto ele não tivesse executado o movimento intelectual de levar o
método socrático para além do campo do comportamento humano e
desenvolvê-lo num sistema metafísico.
Esse movimento pode ser expresso da seguinte maneira. "Se soubéssemos",
dizia Sócrates, "o que é a justiça, seríamos capazes de apresentar uma
definição da justiça"; o verdadeiro conhecimento deve ser um
conhecimento do fato geral, comum a todos os casos individuais aos quais
aplicamos a noção geral. Mas isso também é verdade em relação a outros
objetos de pensamento e discurso; a mesma relação entre noções gerais e
exemplos particulares se estende por todo o universo físico; só podemos
pensar e falar sobre ele por meio de tais noções. O conhecimento
verdadeiro ou científico, portanto, deve ser um conhecimento geral,
relacionado primariamente não aos indivíduos, mas aos fatos ou
qualidades gerais que os indivíduos exemplificam; de fato, a noção de um
indivíduo, quando examinada, mostra-se como um agregado daquelas
qualidades gerais. Mas, novamente, o objeto do verdadeiro conhecimento
deve ser o que realmente existe; assim, a realidade do universo deve se
apoiar em fatos ou relações gerais, e não nos indivíduos que
exemplificam tais fatos e relações.
Até aqui os passos são suficientemente claros; mas ainda não vemos como
esse realismo lógico (como foi posteriormente chamada essa posição)
resulta no caráter essencialmente ético do platonismo. A filosofia de
Platão está voltada para o universo inteiro do ser; no entanto, o objeto
último de sua contemplação filosófica ainda é "o bem", agora considerado
como o fundamento último de todo o ser e de todo o conhecimento. Ou
seja, a essência do universo é identificada com esse fim – a causa
"formal" das coisas é identificada com a sua causa "final", conforme a
posterior terminologia aristotélica. Como isso ocorre?
Talvez a melhor maneira de explicá-lo esteja num retorno à aplicação
original do método socrático aos assuntos humanos. Uma vez que toda a
atividade racional tem em vista alguma finalidade, as diferentes artes e
funções da indústria humana são naturalmente definidas por uma
declaração sobre seus usos ou finalidades; analogamente, ao oferecer uma
explicação sobre os vários artistas e funcionários, apresentamos
necessariamente as suas finalidades – "aquilo em que eles são bons".
Numa sociedade organizada segundo os princípios socráticos, todos os
seres humanos seriam designados para alguma utilidade; a essência de
suas vidas consistiria em fazer aquilo em que são bons (o seu µÁ³¿½
próprio). Mas, novamente, é fácil estender essa concepção para todo o
campo da vida organizada; um olho que não alcança a sua finalidade de
enxergar está destituído da essência do olho. Em resumo, podemos dizer
acerca de todos os órgãos e instrumentos que eles são o que pensamos
deles à medida que cumprem a sua função e alcançam sua finalidade.
Assim, se concebermos organicamente todo o universo como um arranjo
complexo de meios para fins, entenderemos por que Platão pode sustentar
que todas as coisas realmente são , ou (como diríamos) "realizam sua
ideia", à medida que alcançam o fim ou o bem especial para o qual foram
dispostas. Mesmo Sócrates, apesar de sua aversão à física, foi levado
pela reflexão piedosa a expor uma visão ideológica do mundo físico, um
mundo organizado em todas as suas partes pela sabedoria divina para a
realização de alguma finalidade divina; e a viragem metafísica que
Platão imprimiu a essa visão foi provavelmente antecipada por Euclides
de Mégara, que sustentava que o único ser real é "aquilo que chamamos
por diversos nomes: Bem, Sabedoria, Razão ou Deus", aos quais Platão,
alçando a identificação socrática da beleza com a utilidade a um
significado mais elevado, acrescentou o nome do Belo Absoluto, ao
explicar como o amor à beleza mostra-se em última instância como um
anseio pela finalidade e pela essência do ser.
Platão, portanto, aderiu a essa vasta orientação filosófica, e
identificou as noções últimas da ética com as da ontologia. Temos de ver
agora que atitude adotará em relação às investigações práticas que foram
o seu ponto de partida. Quais serão agora suas concepções de sabedoria,
virtude, prazer e de suas relações com o bem-estar?
[225px-Lorenzetti_Amb._good_government_det..jpg]
[magnify-clip.png] Buon Governo (detalhe), afresco de Ambrogio
Lorenzetti . Na ética platônica, a Sabedoria (alto) e a Justiça (centro)
são as virtudes fundamentais para a boa condução tanto da vida
particular como do Estado.
A resposta a essa questão é algo complicada. Em primeiro lugar, temos de
observar que a filosofia, agora, saiu da praça do mercado e entrou na
sala de aula. Sócrates buscava uma arte de se conduzir que seria
exercida num mundo prático e entre semelhantes. Mas, se os objetos do
pensamento abstrato constituem o mundo real, do qual esse mundo de
coisas individuais é apenas uma sombra, é evidente que a vida mais
elevada e mais real será encontrada naquela primeira região, não nessa
última. A verdadeira vida do espírito deve consistir na contemplação da
realidade abstrata que as coisas concretas obscuramente representam –
na contemplação do arquétipo ou ideal que os indivíduos sensíveis imitam
imperfeitamente; e, como o homem é mais verdadeiramente homem à medida
que se identifica com a sua mente, o desejo pelo bem de si mesmo, que
Platão, seguindo Sócrates, sustentava ser permanente e essencial em
todas as coisas vivas, revela-se em sua forma mais elevada como o anseio
filosófico por conhecimento. Esse anseio surge – assim como a maioria
dos impulsos sensuais – com uma percepção de que nos falta alguma
coisa anteriormente possuída, alguma coisa da qual mantemos uma memória
latente na alma. No aprendizado de uma verdade abstrata por demonstração
científica, simplesmente tornamos explícito o que já sabíamos
implicitamente; trazemos à clareza da consciência as memórias ocultas
decorrentes de um estado anterior em que a alma contemplava diretamente
a Realidade e o Bem, antes de ela ser aprisionada num corpo estranho e
antes da mistura de sua verdadeira natureza com os sentimento e impulsos
carnais. Chegamos assim ao paradoxo de que a verdadeira arte de viver é,
na verdade, uma "arte de morrer" para os sentidos, a fim de existir em
estreita união com a bondade e a beleza absoluta. Por outro lado, dado
que o filósofo deve ainda viver e atuar no mundo sensível, a
identificação socrática entre sabedoria e virtude é plenamente mantida
por Platão. Somente aquele que capta o bem em abstrato pode reproduzi-lo
como bem transitório e imperfeito na vida humana, e é impossível que,
dispondo desse conhecimento, não aja de acordo com ele, seja em assuntos
privados, seja em assuntos públicos. Assim, no verdadeiro filósofo,
encontraremos necessariamente o homem bom em sentido prático, e também o
estadista perfeito, caso a organização da sociedade permita-lhe exercer
a sua habilidade estadística.
Os traços característicos dessa bondade prática no pensamento maduro de
Platão refletem as noções fundamentais de sua concepção de universo. A
alma do homem, em seu estado bom e normal, deve estar organizada e
harmonizada conforme a orientação da razão. Surge então a questão: "Em
que consiste essa ordem ou harmonia?" Para esclarecer a resposta
elaborada por Platão, convém notar que, embora mantivesse a doutrina
socrática de que a virtude mais elevada é indissociável do conhecimento
do bem, Platão reconhecia uma espécie inferior de virtude, possuída por
homens que não eram filósofos. É evidente que, se o bem a ser conhecido
é o fundamento último de todas as coisas, ele só pode ser alcançado por
um restrito e seleto grupo. No entanto, não podemos restringir a virtude
apenas a esse grupo. Que abordagem, então, devemos dar às virtudes
"cívicas" ordinárias – coragem , temperança e justiça ? Parece claro
que os homens que cumprem os seus deveres, resistindo às seduções do
medo e do desejo, devem ter, se não conhecimento, ao menos opiniões
corretas quanto ao bem e ao mal na vida humana; mas de onde viriam essas
"opiniões" corretas? Vêm em parte, diz Platão, da natureza e da
"alocação divina"; mas, para seu adequado desenvolvimento, são
necessários "o costume e a prática". Daí a importância basilar da
educação e da disciplina para a virtude cívica; e mesmo para os futuros
filósofos é indispensável essa cultura moral, em que também cooperam o
treinamento físico e estético (uma preparação apenas intelectual não
basta). O conhecimento perfeito, por outro lado, não pode ser implantado
numa alma que não tenha passado por uma preparação que inclui bem mais
que o treinamento físico. O que é essa preparação? Um passo importante
na análise psicológica foi dado quando Platão reconheceu que o efeito
dessa preparação era produzir a "harmonia" acima mencionada entre as
diferentes partes da alma, de modo que os impulsos se subordinassem à
razão. Platão distinguiu esses elementos não-racionais num componente
concupiscível (Ä¿ µÀ¹¸Åµ·Ä¹º¿½) e num componente irascível (Ä¿ ¸Åµ¿µ¹´µÂ
ou ¸Åµ¿Â) – e afirmou que a separação entre esses dois elementos, e
entre esses e a razão, é estabelecida pela experiência que temos de
nossa vida interior.
Nessa tripartição da alma, Platão encontrou uma concepção sistemática
das quatro espécies de virtudes reconhecidas pela moral estabelecida da
Grécia – mais tarde chamadas de Virtudes Cardinais . Dessas, as duas
mais fundamentais eram a sabedoria – que em sua forma superior
identifica-se com a filosofia – e aquela atividade harmoniosa e
regulada de todos os elementos da alma, que Platão toma como a essência
da retidão nas relações sociais (´¹º±¹¿Ã¹½·). O sentido desse termo é
essencialmente social; e só podemos explicar o uso desse termo por
Platão numa referência à analogia que ele traça entre o homem individual
e a comunidade. Numa polis justamente ordenada, tanto o bem-estar social
como o bem-estar individual dependeriam da interação harmoniosa daqueles
diversos elementos, cada um deles desempenhando a sua função própria, a
qual, em sua aplicação social, é mais naturalmente denominada
´¹º±¹¿Ã¹½·. Vemos, além disso, como na concepção platônica as virtudes
fundamentais da Sabedoria e da Justiça estão interconectadas. A
sabedoria mantém necessariamente a atividade ordenada, e essa última
consiste na regulação pela sabedoria; enquanto que as duas outras
virtudes especiais – a Coragem (±½´Áµ¹±) e a Temperança (ÃÉÆÁ¿Ã¹½·)
– são apenas lados ou aspectos diferentes dessa ação sabiamente
regulada de uma alma composta.
Essas são as formas como o bem essencial se manifesta na vida humana.
Resta saber se a apresentação dessas formas fornece uma explicação
completa do bem-estar humano ou se também se deve incluir o prazer.
Nesse ponto, o pensamento de Platão parece ter sofrido várias
oscilações. Depois de aparentemente sustentar que o prazer é o bem (
Protágoras ), ele passa para o extremo oposto, rejeitando qualquer
assimilação entre bem e prazer ( Fédon , Górgias ); pois (1), sendo algo
concreto e transitório, o prazer não é o bem verdadeiramente essencial
que o filósofo está a buscar; (2) as sensações que mais prontamente
reconhecemos como prazeres estão associadas à dor, num vínculo
completamente estranho à natureza do bem, uma vez que esse último jamais
se associa ao mal. No entanto, essa era uma concepção que discordava
tanto do socratismo que Platão não poderia permanecer nela. Que o prazer
não fosse um bem absoluto não era justificativa para não incluí-lo entre
os bens da vida humana concreta; além disso, somente os prazeres brutos
e vulgares estão indissociavelmente ligados às dores da carência. Desse
modo, na República , ele não receia tomar o prazer como parâmetro para
responder à questão sobre a superioridade intrínseca da vida filosófica
ou virtuosa, e argumenta que só o homem filosófico (ou bom) desfruta o
prazer genuíno, ao passo que o sensualista gasta a sua vida oscilando
entre a carência dolorosa e o estado neutral de falta-de-dor, que ele
equivocadamente toma por prazer positivo. Ainda mais enfaticamente,
declara-se nas Leis que, quando estamos "dissertando para homens, não
para deuses", devemos mostrar que a vida que estimamos como a melhor e
mais nobre é também aquela em que o prazer supera em maior proporção a
dor. Mas, embora Platão mantenha que essa conexão inquebrantável entre o
melhor e o mais prazeroso seja verdadeira e importante, é apenas em
benefício do vulgo que ele dá essa ênfase ao prazer; pois, na comparação
mais filosófica apresentada no Filebo entre as alegações do prazer e as
da sabedoria, as primeiras são completamente subjugadas.
Aristóteles.
Aristóteles , em sua obra Ética a Nicômaco , afirma que a felicidade (
eudemonia ) não consiste nem nos prazeres, nem nas riquezas, nem nas
honras, mas numa vida virtuosa. A virtude ( areté ), por sua vez, se
encontra num justo meio entre os extremos, que será encontrada por
aquele dotado de prudência ( phronesis ) e educado pelo hábito no seu
exercício.
Para Epicuro a felicidade consiste na busca do prazer, que ele definia
como um estado de tranquilidade e de libertação da superstição e do medo
( ataraxia ), assim como a ausência de sofrimento ( aponia ). Para ele,
a felicidade não é a busca desenfreada de bens e prazeres corporais, mas
o prazer obtido pelo conhecimento, amizade e uma vida simples. Por
exemplo, ele argumentava que ao comermos, obtemos prazer não pelo
excesso ou pelo luxo culinário (que leva a um prazer fortuito, seguido
pela insatisfação), mas pela moderação, que torna o prazer um estado de
espírito constante, mesmo se nos alimentarmos simplesmente de pão e
água. [ 6 ]
Para os estóicos , a felicidade consiste em viver de acordo com a lei
racional da natureza e aconselha a indiferença ( apathea ) em relação a
tudo que é externo. O homem sábio obedece à lei natural reconhecendo-se
como uma peça na grande ordem e propósito do universo, devendo assim
manter a serenidade e indiferença perante as tragédias e alegrias.
Para os céticos da antiguidade , nada podemos saber, pois sempre há
razões igualmente fortes para afirmar ou negar qualquer teoria, além do
que toda teoria é indemonstrável (um dos argumentos é que toda
demonstração exige uma demonstração e assim ad infinitum ). Defender
qualquer teoria, então, traz sofrimentos desnecessárias e inúteis.
Assim, os céticos advogavam a "suspensão do juízo" ( epokhé ). Por
exemplo, aquele que não imagina que a dor é um mal não sofre senão da
dor presente, enquanto que aquele que julga a dor um mal duplica seu
sofrimento e mesmo sofre sem dor presente, sendo a mera ideia do mal da
dor às vezes mais dolorosa que a própria dor. [ 7 ]
Ética na Idade Média, no Renascimento e no Iluminismo.
Enquanto na antiguidade todos os filósofos entendiam a ética como o
estudo dos meios de se alcançar a felicidade (eudaimonia) e investigar o
que significa felicidade, na idade média, a filosofia foi dominada pelo
cristianismo e pelo islamismo, e a ética se centralizou na moral como
interpretação dos mandamentos e preceitos religiosos.
No renascimento e nos séculos XVII e XVIII, os filósofos redescobriram
os temas éticos da antiguidade, e a ética foi entendida novamente como o
estudo dos meios de se alcançar o bem estar, a felicidade e o bom modo
de conviver tendo por base sua fundamentação pelo pensamento humano e
não por preceitos recebidos das tradições religiosas.
Espinoza , em sua obra Ética , afirma que a felicidade consiste em
compreender e criar as circunstâncias que aumentem nossa potência de
agir e de pensar, proporcionando o afeto de alegria e libertando-nos das
determinações alheias (paixões), isto é, afirmando a necessidade de
nossa própria natureza ( conatus ). Unicamente a alegria nos leva ao
amor ("alegria que associamos a uma causa exterior a nós") no cotidiano
e na convivência com os outros, enquanto a tristeza jamais é boa,
intrinsecamente relacionada ao ódio ("tristeza que associamos a uma
causa exterior a nós"), a tristeza sempre é destrutiva. [ 8 ] [ 9 ]
Espinosa dizia, quanto aos dominados pelas paixões: "Não rir nem chorar,
mas compreender." [ 10 ]
Visão.
A ética tem sido aplicada na economia , política e ciência política ,
conduzindo a muitos distintos e não-relacionados campos de ética
aplicada, incluindo: ética nos negócios e Marxismo .
Também tem sido aplicada à estrutura da família, à sexualidade, e como a
sociedade vê o papel dos indivíduos, conduzindo a campos da ética muito
distintos e não-relacionados, como o feminismo e a guerra , por exemplo.
A visão descritiva da ética é moderna e, de muitas maneiras, mais
empírica sob a filosofia Grega clássica, especialmente Aristóteles .
Inicialmente, é necessário definir uma sentença ética, também conhecido
como uma afirmativa normativa. Trata-se de um juízo positivo ou negativo
(em termos morais) de alguma coisa.
Sentenças éticas são frases que usam palavras como bom, mau, certo,
errado, moral, imoral, etc.
Aqui vão alguns exemplos:
* “Salomão é uma boa pessoaâ€
* “As pessoas não devem roubarâ€
* “A honestidade é uma virtudeâ€
Em contraste, uma frase não-ética precisa ser uma sentença que não serve
para uma avaliação moral. Alguns exemplos são:
* “Salomão é uma pessoa altaâ€
* “As pessoas se deslocam nas ruasâ€
* "João é o chefe".
Ética nas ciências.
* A principal lei ética na robótica é:
. Um robô jamais deve ser projetado para machucar pessoas ou
lhes fazer mal.
* Na biologia :
. Um assunto que é bastante polémico é a clonagem : uma parte
dos ativistas considera que, pela ética e bom senso , a clonagem só deve
ser usada, com seu devido controle, em animais e plantas somente para
estudos biológicos - nunca para clonar seres humanos.
* Na Programação
. Nunca criar programas (softwares) para prejudicar as pessoas,
como para roubar ou espionar.
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